Skip to content

Resenha Crítica | Millennium II – A Menina Que Brincava com Fogo (2009)

Um dos maiores sucessos da história do cinema sueco, “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” comprovou a força do texto literário de Stieg Larsson, que morreu antes de testemunhar o sucesso de sua trilogia. Assim como os três volumes de “Millennium”, publicados em uma só tacada, os produtores das versões cinematográficas foram ágeis ao rodá-las simultaneamente. Portanto, “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres”, “Millennium II – A Menina Que Brincava com Fogo” e “Millennium III – A Rainha do Castelo de Ar” foram lançadas nos cinemas em curto intervalo de tempo.

A estratégia representava um risco. Ao serem exibidos um atrás do outro, não existiu uma pausa apropriada para o público absolver totalmente “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres” para encarar rapidamente suas duas sequências. Assim, “Millennium II – A Menina Que Brincava com Fogo” e “Millennium III – A Rainha do Castelo de Ar” não foram comercialmente tão bem sucedidos quanto “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”. Aqui no Brasil, o segundo e terceiro “Millennium” foram comprometidos com lançamentos para o mercado de homevideo.

No caso de “Millennium II – A Menina Que Brincava com Fogo”, não há a trama investigativa quase impossível de se solucionar que popularizou o filme original, mas a tensão e o fascínio pela hacker Lisbet Salander (Noomi Rapace) e o jornalista Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist) só crescem. Lisbeth, aliás, é o ponto central da narrativa e Noomi Rapace tem aqui a chance de explorar novas camadas desta antológica heroína nada convencional.

Depois de auxiliar Mikael Blomkvist em desvendar o responsável de um crime há décadas sem solução e livrá-lo da prisão após uma grave acusação de difamação por delatar um figurão inescrupuloso, Lisbeth aproveita a sua vida de milionária, algo conquistado a0 aplicar um golpe infalível no clímax de “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”. No entanto, passa por novos apuros ao ser acusada por triplo homicídio. A mesma arma disparada contra um casal de jornalistas que faziam uma matéria polêmica para a revista Millennium (da qual Blomkvist é sócio) e o seu tutor Nils Bjurman (Peter Andersson) contém suas impressões digitais.

Ao invés de provar sua inocência, Lisbeth Salander decide investir na solução mais arriscada. Ela sabe que é vítima de uma conspiração empregada por Zala, um anônimo que pode apresentar ligações familiares. Enquanto inicia uma busca pessoal por um personagem que só será revelado no derradeiro clímax, há também espaço para acompanharmos a história também pela perspectiva de Blomkvist, que moverá montanhas para limpar a barra de Lisbeth Salander, uma vez que ele tem uma dívida com ela por ter sobrevivido das mãos de um assassino e se livrado da prisão graças as suas habilidades.

Diretor de “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”, Niels Arden Oplev passou a batuta para Daniel Alfredson, irmão do também cineasta Tomas Alfredson (de “Deixe Ela Entrar” e “O Espião Que Sabia Demais”), que não deixa a peteca cair. Ainda evidenciando os crimes contra a mulher, uma realidade na Suécia contemporânea, a produção permanece extraindo o que há de melhor na obra de Stieg Larsson e não economiza na brutalidade ao se aproximar do último ato explosivo. Inconvincente mesmo apenas a presença de Niedermann (Micke Spreitz), personagem anormal que se revelará o alicerce mais frágil de “Millennium III – A Rainha do Castelo de Ar” e que aqui felizmente é quase uma mera figura secundária.

Título Original: Flickan som lekte med elden
Ano de Produção: 2009
Direção: Daniel Alfredson
Roteiro: Jonas Frykberg, baseado no romance homônimo de Stieg Larsson
Elenco: Noomi Rapace, Michael Nyqvist, Lena Endre, Sofia Ledarp, Georgi Staykov, Peter Andersson, Micke Spreitz, Yasmine Garbi, Annika Hallin, Michalis Koutsogiannakis, Per Oscarsson, Tehilla Blad, Tanja Lorentzon, Magnus Krepper e Paolo Roberto

6 Comments

  1. Tenho o livro, mas ainda não li. Então, não quero assistir ao filme ainda. Mas, espero que seja melhor que o primeiro longa da série sueca.

    • Kamila, você falou de um jeito como se o primeiro filme não fosse suficientemente bom. Eu acho o livro excelente e só após concluir a leitura é que decidi comentar a respeito da adaptação cinematográfica. Recomendo.

  2. […] “As Aventuras de Pi” “Bastidores de Um Casamento” “Guerreiro” “Intocáveis” “Millennium II – A Menina Que Brincava com Fogo” “Moonrise Kingdom” “O Artista” “Precisamos Falar Sobre o […]

  3. Os livros são incríveis, o primeiro é só a ponta do “iceberg” digamos assim. Os filmes russos são bem fiéis ao livro em grande parte e espero que os americanos também sejam.
    Adorei a crítica, afinal fala muito bem, e também super recomendo os livros e os filmes.

    • Karine, no momento, me resta ler apenas “A Rainha do Castelo de Ar”. Ainda não comprei porque busco uma edição que já saiu de circulação. Trata-se mesmo de uma série literária fantástica e as adaptações suecas não deixaram a desejar. Quanto ao filme americano de David Fincher, bom, acho-o péssimo.

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: