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Resenha Crítica | Relação Mortal (2011)

Relação Mortal | The Moth Diaries

♪ My mother she butchered me,
My father he ate me,
My sister, little Ann Marie,
She gathered up the bones of me
And tied them in a silken cloth
To lay under the juniper.
Tweet twee, what a pretty bird am I! ♪

Antes do universo vampiresco de Bram Stoker se consagrar com o romance “Drácula”, o irlandês Joseph Sheridan Le Fanu já o havia explorado alguns anos antes em “Carmilla”. Esta obra da literatura gótica lançada em 1872 não estabeleceu as “regras” descritas por Bram Stoker posteriormente, como um vampiro jamais visualizar seu reflexo ou a necessidade de se esconder da luz solar. Ao invés de sangue, em “Carmilla”, tal “sanguessuga”, uma mulher,  é capaz de atravessar divisões de cômodos e drenar as forças vitais de suas vítimas. Há também um forte tom homoerótico na história, pois Carmilla só ataca mulheres.

Modelo de personagem secundário que só é criado por um roteirista com a única intenção de deixar mais evidente as características particulares de uma história, o professor Davies (interpretado por Scott Speedman) é a única presença masculina com alguma relevância em um ambiente estritamente feminino. Além de deixar inúmeras alunas com os hormônios em plena ebulição encantadas, Davies estabelece as diferenças entre os romances de Stoker e Le Fanu, necessárias para que a narrativa de “Relação Mortal” possa engrenar.

Adaptação do romance “O Diário da Mariposa”, escrito por Rachel Klein e publicado no Brasil pela editora Planeta do Brasil, “Relação Mortal” tem como protagonista Rebecca (Sarah Bolger, que fez uma das garotinhas de “Terra de Sonhos”), jovem abalada pelo recente suicídio do pai (Julian Casey) por motivações desconhecidas. Aluna de um tradicional colégio interno, Rebecca, que tem como marcador de página de seu diário a lâmina que seu pai usou para cortar os pulsos,  encontra na sua melhor amiga Lucy (Sarah Gadon, de “Cosmópolis”) um pilar de apoio para que não desmorone emocionalmente. A relação bem íntima entre elas será abalada com a presença de uma nova aluna, Ernessa (Lily Cole, de “O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus”).

Claramente uma garota antissocial, Ernessa parece exercer domínio sobre Lucy, que passa a ignorar Rebecca. Além do mais, as colegas de classe mais próximas de Rebecca cometem atos que as desligam do colégio, deixando-a solitária e inconsolável. Tudo isso confirma algo: Rebecca está diante de alguém capaz de manipular tudo ao seu redor. Mas seria tudo isso fruto de seu estado de espírito instável ou Ernessa é realmente uma ameaça sobrenatural?

Realizadora de “Psicopata Americano”, Mary Harron decepciona em seu novo suspense, uma junção do romance de Le Fanu com o drama que acomete uma protagonista que ainda não superou uma trágica perda. Há atmosfera soturna, mas a única virtude em “Relação Mortal” está na presença de  Lily Cole, dona de uma face alienígena e envolvente. Quando sua Ernessa revela suas origens e motivações, os laços com Rebecca se estreitam sem coerência, revelando a ineficiência narrativa do projeto, que ao final só é capaz de encontrar alguma recompensa com a maravilhosa canção “Numb”, de Marina Lambrini Diamandis.

The Moth Diaries, 2011 | Dirigido por Mary Harron | Roteiro de Mary Harron, baseado no romance “O Diário da Mariposa”, de Rachel Klein | Elenco: Sarah Bolger, Lily Cole, Sarah Gadon, Anne Day-Jones, Julian Casey, Steffi Hagel, Valerie Tian, Melissa Farman, Laurence Hamelin, Kathleen Fee, Gia Sandhu, Judy Parfitt e Scott Speedman | Distruidora: California Filmes

2 Comments

  1. A premissa parecia bem interessante. Uma pena que não foi muito bem trabalhada pela diretora.

    • Uma pena mesmo. Atualmente, Mary Harron lançou para a tevê um filme sobre Anna Nicole Smith. Quero muito assistir.

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