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Oz – Mágico e Poderoso

Oz - Mágico e Poderoso Oz the Great and Powerful

Sam Raimi é um dos mais notáveis cineastas em atividade ao lidar com o universo fantástico no cinema. Além da trilogia “Evil Dead”, Raimi evidenciou seu domínio tanto na direção de obras como “Arraste-me Para o Inferno” quanto na produção das aventuras televisivas de “Hércules” e “Xena”. Porém, Sam Raimi é aquele artista incapaz de oferecer o melhor de si quando está diante de um projeto de estúdio. Se na trilogia “Homem-Aranha” ele entregou uma ação tão apática quanto o herói Peter Parker, em “Oz – Mágico e Poderoso” sua assinatura jamais é reconhecida.

Ainda que “Oz – Mágico e Poderoso” seja bancado pelo mesmo estúdio Disney que viabilizou “Alice no País das Maravilhas”, ao menos Tim Burton foi capaz de preservar a sua reconhecida marca visual. A responsabilidade de Sam Raimi com “Oz – Mágico e Poderoso” é ainda maior e ingrata: dar forma a um roteiro regular que imagina os eventos que antecedem “O Mágico de OZ”, talvez a maior fantasia que o cinema já produziu.

74 anos se passaram desde o filme de Victor Fleming e em “Oz – Mágico e Poderoso” a missão é desvendar quem é, enfim, o mágico Oz. Pois não se trata de alguém especial. Na verdade, Oz é ninguém mesmo que Oscar Diggs (James Franco), mágico de um circo em Kansas e sujeito para lá de errante. Numa confusão originada com um flerte com a mulher de um dos artistas circenses, Oscar escapa da situação, portando maleta e cartola, voando em um balão. Segundos depois, avista um tornado vindo em sua direção. O que era para ser morte certa se transforma em uma passagem que o conduzirá para um mundo mágico chamado Oz.

Após o estranhamento inicial, Oscar se situa ao estranho e belo ambiente graças à Theodora (Mila Kunis), que acredita estar diante de um lendário mágico que tem o poder para destruir a Bruxa Má. Assim, Theodora o leva até sua irmã Evanora (Rachel Weisz), que, por sua vez, promete a ele muita riqueza caso mate Glinda (Michelle Williams), a quem ela aponta como a temida Bruxa Má. Uma vez que aceita a missão, Oscar usa alguns de seus truques fajutos para contornar algumas situações perigosas e ainda conta com a companhia de um macaco com asas (voz de Zach Braff) e uma frágil boneca de porcelana (voz de Joey King). Ao finalmente chegar ao local em que Glinda está, Oscar não precisa olhá-la uma segunda vez para saber que a bruxa é a mais pura pessoa que pode existir e que Evanora é a verdadeira vilã deste reino mágico que lhe é tão peculiar.

Extremamente exaustiva, a mágica aventura em muitos momentos se assemelha a uma paródia grosseira em suas tentativas de referenciar o filme original. Embora os primeiros minutos preservem a mesma fotografia em preto e branco daquele Kansas que anos depois servirá de lar para a inocente Dorothy (Judy Garland), a composição de James Franco para viver o protagonista é de um desleixo que já lhe é habitual desde os seus primeiros passos como intérprete. O elenco de apoio segue a mesma linha, atingindo o nível máximo da caricatura ao incorporar personagens para lá de maniqueístas.

Se a jornada até a conclusão de “Oz – Mágico e Poderoso” não é mais aborrecida é porque há duas coisas extremamente singulares. A primeira é a existência de dois personagens digitais muito especiais, o macaquinho e a boneca de porcelana, que respondem pelos únicos momentos realmente emocionantes da história (a primeira aparição da boneca é particularmente tocante). A segunda é o clímax bem elaborado. Através de uma bela explosão de cores deslumbrantes, ele ainda apresenta o único truque verdadeiramente eficaz de Oscar, em que faz a sua face ser projetada para uma multidão que finalmente o aceita como o Mágico de Oz – bem no fundo, é uma ocasião que também exalta o cinema como uma ilusão capaz de tornar real tudo aquilo que nos parece inimaginável. Dois grandes acertos que não compensam a existência desse prequel.

Oz the Great and Powerful, 2013 | Dirigido por Sam Raimi | Roteiro de David Lindsay-Abaire e Mitchell Kapner, baseado nos trabalhos de L. Frank Baum | Elenco: James Franco, Mila Kunis, Rachel Weisz, Michelle Williams, Zach Braff, Joey King, Bill Cobbs, Tony Cox, Stephen R. Hart, Abigail Spencer, Ted Raimi e Bruce Campbell | Distribuidora: Disney

2 Comments

  1. Cadê o espaço embaixo da crítica para eu assinar embaixo?
    Perfeita, cara.
    Na verdade, não assinaria porque tu fala no primeiro parágrafo que a releitura de Raimi para Spider Man é apática, e eu sou fãzóide – com exceção do último capítulo, por motivos óbvios.

    E Franco… meu Deus, que má vontade…

    • Elton, o senhor é fã da trilogia “Homem-Aranha”? Nããão! Okay, sua heresia está perdoada com o fato de você concordar com o texto. E Franco é a decepção de sempre. Só não estou mais frustrado com o trabalho dele porque ele se redimiu maravilhosamente bem em “Spring Breakers”.

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