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Resenha Crítica | Minha Mãe é uma Peça – O Filme

Minha Mãe é uma Peça - O Filme

Após um ano em que a nossa produção cinematográfica nos presenteou com as piores comédias dos últimos tempos (“As Aventuras de Agamenon, o Repórter” e “Billi Pig” são dois títulos presentes em nossa lista dos piores filmes exibidos em 2012), finalmente estamos presenciando um grande salto. Após Maurício Farias dirigir o divertidíssimo “Vai que dá Certo”, agora temos um longa-metragem ainda melhor representando o gênero. Trata-se de “Minha Mãe é uma Peça – O Filme”, dirigido por Andre Pellenz e, até o momento, a maior bilheteria de um filme nacional neste ano.

As origens de “Minha Mãe é uma Peça” são os palcos. Após anos em cartaz e um número surpreendente de público, o comediante Paulo Gustavo acreditou que as confusões protagonizadas por sua personagem renderiam na tela de cinema. Levou a ideia para o seu colega Fil Braz (que assinou os episódios de “220 Volts” e “Vai que Cola”), resultando em um roteiro que apresenta a Dona Hermínia para um novo público.

Inspirada na mãe de Paulo Gustavo, a Dona Hermínia é uma dona de casa sem papas na língua. Não esconde o desprezo pela namorada (Ingrid Guimarães) de seu ex-marido (Herson Capri), é intolerante com os seus vizinhos de condomínio, a todo o instante chama a atenção de sua filha Marcelina (Mariana Xavier) por causa do excesso de peso e mima Juliano (Rodrigo Pandolfo), que se transformou em seu “filho perfeito” desde o momento em que Garib (Bruno Bebianno), seu primogênito, se mudou para Brasília com a esposa.

Em um dia como qualquer outro, Dona Hermínia houve comentários maldosos de Marcelina e Juliano através de uma ligação telefônica não encerrada no momento apropriado. Arrasada, Dona Hermínia se vê cansada da vida banal e encontra como refúgio a casa da Tia Zélia (Suely Franco), aquela que servirá de ouvinte para os seus inúmeros desabafos. E assim a história de “Minha Mãe é uma Peça – O Filme” começa a se agitar, pois é através dos flashbacks que compreenderemos o que tornou Dona Hermínia uma pessoa tão amarga e, ao mesmo tempo, disposta a fazer tudo pelo bem de seus filhos.

Através desse ponto de partida, Andre Pellenz lida com uma linguagem que flerta com a televisiva, pois a estrutura de “Minha Mãe é uma Peça – O Filme” é episódica. A escolha compromete as raras e inoportunas tentativas de introduzir um pouco de drama à história, a exemplo de uma tragédia inesperada que abate a irmã de Dona Hermínia interpretada por Alexandra Richter (de “Divã”). Porém, como se incomodar com falhas pouco expressivas diante do talento de Paulo Gustavo?

Dona Hermínia é, desde já, uma personagem presente em nosso imaginário e isso se deve a habilidade sem igual do comediante em torná-la tão exagerada e, ao mesmo tempo, crível. Há um pouco de Dona Hermínia em cada mãe da classe média e Paulo Gustavo nos faz esquecer que há um homem incorporando essa mulher. Amparado por um trabalho de maquiagem incrível, Paulo Gustavo ainda é certeiro no modo como desenvolve sua voz, as piadas espontâneas, postura e trejeitos (repare o modo natural como move as suas madeixas). Por tudo isso é que algumas situações de constrangimento narradas funcionam tão bem, como a cena da balada do pijama, da fila do supermercado ou quando a verdadeira orientação sexual de Juliano é revelada. É o cinema brasileiro finalmente revendo a fórmula para moldar uma comédia assumidamente popular capaz de deixar todo mundo com um largo sorriso no rosto. Que venha a continuação!

Minha Mãe é uma Peça – O Filme, 2013 | Dirigido por Andre Pellenz | Roteiro de Fil Braz e Paulo Gustavo, baseado na peça “Minha Mãe é uma Peça” | Elenco: Paulo Gustavo, Rodrigo Pandolfo, Mariana Xavier, Alexandra Richter, Ingrid Guimarães, Suely Franco, Herson Capri, Samantha Schmütz, Mônica Martelli, Malu Valle, Bruno Bebianno, Renata Ricci, Gabriel Galvão, Ana Karolina Lannes e Augusto César Jr. | Distribuidora: Paris Filmes

One Comment

  1. Apesar de “Minha Mãe é uma Peça – O Filme” ser o grande sucesso do cinema nacional em 2013, não estou nada curiosa em relação a este longa. Talvez, por não gostar muito do tipo de humor feito pelo Paulo Gustavo.

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