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A Família

A Família | The Family

 “Quando penso que estou fora, eles me puxam de volta”. Se “O Poderoso Chefão III” é uma conclusão insatisfatória para a saga dirigida por Francis Ford Coppola, ao menos tem nesta sentença célebre de Don Michael Corleone (Al Pacino) algo que redefine o mundo daqueles que vivem no (sub)mundo da máfia. O dilema também é válido para os protagonistas de “A Família”, novo longa-metragem do cineasta francês Luc Besson.

Nos primeiros instantes da história, temos a impressão de que a família Blake está se mudando temporariamente para uma discreta cidade da França. No entanto, quando o patriarca Fred (Robert De Niro) tira uma conservada máquina de escrever do quintal de sua nova residência para digitar em papel branco suas memórias, sabemos que aquela é uma família que está vivendo de aparências. Pior: ela está no programa de proteção a testemunha e é monitorada de perto pelo agente da CIA Stansfield (Tommy Lee Jones).

Fred, que na realidade se chama Giovanni Manzoni, foi um figurão da máfia do Brooklyn que delatou os seus “bons companheiros” em troca de imunidade. Pois os seus agora inimigos não deixarão a traição passar em branco e procuram Fred/Giovanni para eliminá-lo junto com toda a sua família. Porém, como veremos a seguir, cada um dos Blake tem seus próprios esqueletos ocultos no armário.

Esforçando-se para desempenhar bem o papel de dona de casa, mãe e esposa,  Maggie (Michelle Pfeiffer) é daquelas mulheres com pavio curtíssimo. Os filhos de Fred e Maggie também não são diferentes, uma vez que Belle (a fraca Dianna Agron, do seriado musical “Glee”) se defende de modo agressivo em situações em que se sente desprotegida e Warren (John D’Leo) se revela assustadoramente calculista quando decide se rebelar contra os novos colegas de classe que não o recepcionaram muito bem.

Inspirado em “Malavita”, nome dado tanto ao romance de Tonino Benacquista quanto ao cachorro de estimação dos Blake, o roteiro escrito por Besson e Michael Caleo tem a pretensão de lidar com tons muito destoantes. Como o esperado, o resultado disso nem sempre é favorável. Há flertes com a comédia de humor negro, o drama familiar e o tradicional thriller de máfia, um misto que não garante um ritmo adequado à fita.

Decepciona um cineasta dinâmico e experiente como Luc Besson cair em armadilhas tão fáceis. Se não bastasse a coincidência usada para aproximar os Blake de um destino explosivo (algo que seu colaborador Julien Rey tenta contornar com uma montagem esperta) e o romance da jovem Belle com um professor de matemática que não leva a lugar nenhum, Besson ainda permite que a sua França natal seja subordinada a uma família americana. Não importa os ambientes que os Blake transitam, todos dialogarão convenientemente em inglês. Isso mata a autenticidade pretendida por “A Família” e frustra os fãs de um cineasta que teve a ousadia de criar do zero uma linguagem para a memorável Leeloo, personagem de Milla Jovovich em “O Quinto Elemento”.

The Family, 2013 | Dirigido por Luc Besson | Roteiro de Luc Besson e Michael Caleo, baseado no romance “Malavita”, de Tonino Benacquista | Elenco: Robert De Niro, Michelle Pfeiffer, Dianna Agron, John D’Leo, Tommy Lee Jones, Jimmy Palumbo, Domenick Lombardozzi, Stan Carp, Vincent Pastore, Jon Freda, Michael J. Panichelli Jr., Paul Borghese, Anthony Desio, Ted Arcidi e David Belle | Distribuidora: Paris Filmes

One Comment

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