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O Abismo Prateado

O Abismo Prateado

Após um fim de tarde de mergulho em uma praia carioca, Djalma (Otto Jr.) volta a pé e só de sunga para o seu apartamento comprado recentemente. Nas cenas que se seguem, aliás, veremos Djalma ou vestindo uma toalha ou completamente nu. É um indício de uma decisão radical que ele tomará: convicto em se desprender de tudo, Djalma abandonará seu filho adolescente e sua esposa Violeta (Alessandra Negrini).

A vontade de Djalma não é informada de antemão à sua família. Quando Violeta recebe uma mensagem de voz em seu celular em que Djalma diz que a deixou e que não a ama mais, ele já embarcou em um voo para Salvador. Como o esperado, Violeta se desespera. O choque não a torna capaz de seguir com a rotina (ela é dentista) e ela sai de noite de seu apartamento sem dizer ao seu filho para onde vai. Não que isso importe: a desolação de Violeta a impede de traçar um destino.

Em breve jornada noite adentro, Karim Aïnouz faz sua protagonista passar por experiências e dilemas já visitados em longas anteriores como “O Céu de Suely”. Embora ambientado somente no Rio de Janeiro, “O Abismo Prateado” lembra um road movie. A inquietação de Violeta a faz se hospedar rapidamente em um hotel, ir para uma boate e vagar por uma praia e ruas desertas.

São sensações possíveis de serem extraídas de “Olhos Nos Olhos”, canção de Chico Buarque que inspira o roteiro assinado por Beatriz Bracher e Aïnouz, e também da força de Alessandra Negrini, totalmente imersa na confusão que invade Violeta assim que é abandonada por aquele que foi o seu grande amor desde seus 22 anos. Como o esperado, algumas respostas que afugentam o vazio até então presente nesta via crucis vem com a interação com estranhos. Precisamente dois: o pintor de parede Nassir (Thiago Martins) e sua filha Bel (Gabi Pereira).

Não há nada de amoroso na relação entre os três personagens, embora ela seja forte o suficiente para que Violeta reviva aqueles sentimentos que experimentou com Djalma nos primeiros encontros. As afinidades e a bondade que Violeta visualiza em Nassir e Bel é o que a fará reavaliar o seu próprio valor e a caminhar decidida e com serenidade os mesmos ambientes há pouco turbulentos.

O Abismo Prateado, 2011 | Dirigido por Karim Aïnouz | Roteiro de Karim Aïnouz e Beatriz Bracher, baseado na canção “Olhos nos Olhos”, de Chico Buarque | Elenco: Alessandra Negrini, Otto Jr., Thiago Martins, Gabi Pereira, Camila Amado, Luisa Arraes, João Vitor da Silva, Sérgio Guizé e Carla Ribas | Distribuidora: Vitrine Filmes

3 Comments

  1. Ouvi muito falar sobre esse filme do Karim Ainouz, especialmente sobre o belo trabalho de atuação de Alessandra Negrini, mas a verdade é que a distribuição de “O Abismo Prateado” foi péssima. Por que a Globo não passa esses filmes, como faz com outros???

    • Pois é, Kamila. Soube que a responsável pela Vitrine Filmes move muitas montanhas para conseguir colocar vários filmes nacionais do circuito. Ainda assim, é impossível não lamentar o baixo alcance de filmes como “O Abismo Prateado”. Se eu não tivesse visto na repescagem promovida pelo CineSesc, duvido que conseguiria ver o filme de outro modo. A Vitrine ainda não entrou com força no mercado de homevideo (“O Som ao Redor” permanece como único lançamento deles no formato) e resta ficar na torcida para que o filme seja exibido em algum momento na tevê, seja aberta ou fechada.

  2. […] sua realização prévia. A partir da canção “Olhos nos Olhos”, de Chico Buarque, “O Abismo Prateado” é um raro exemplar brasileiro a fazer com que o espectador de fato mergulhe nos sentimentos […]

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