Skip to content

Resenha Crítica | Flores Raras (2013)

Flores Raras | Reaching for the Moon

Há muito que “Flores Raras” perseguiu Bruno Barreto. Mãe do cineasta, Lucy Barreto ficou tão encantada pelo livro “Flores Raras e Banalíssimas”, de Carmem Lucia de Oliveira, que decidiu após a leitura comprar os direitos para um dia levá-lo ao cinema. A tarefa foi delegada a Bruno, cujo interesse só veio quando a sua até então esposa Amy Irving fez o monólogo “Um Porto Seguro para Elizabeth Bishop”.

Hoje divorciados, Bruno Barreto e Amy Irving eram, respectivamente, diretor e protagonista de “Flores Raras”. Talvez a separação tenha mexido muito com Barreto, pois a dor da ausência vinda com o rompimento ganha tradução nos poemas de Elizabeth Bishop, conferindo na australiana Miranda Otto uma intérprete notável.

Mesmo relativamente conhecida, a Elizabeth Bishop que nos é apresentada ao início de “Flores Raras” ainda não dominou a fama pela qual é reconhecida ainda hoje. Bishop é atingida por um bloqueio criativo e busca no clima tropical do Brasil alguma inspiração. Amiga de longa data, Mary (Tracy Middendorf) oferece abrigo à Bishop em sua casa belíssima projetada pela sua companheira Lota de Macedo Soares (Glória Pires).

Após um divertido choque cultural dessa inglesa pálida em um cenário mantido por uma culinária e hábitos incomuns, nasce uma atração inesperada entre ela e Lota, com quem até então antagonizava para ter as atenções de Mary. A resolução para este triângulo amoroso que se desenha se mostra mais pacífica que o esperado, o que permite que Bishop contemple as paisagens e os acontecimentos ao seu redor com mais tranquilidade.

Bruno Barreto comprova um domínio notável ao conduzir uma história em que a poesia precisa se mostrar presente. O feito não é mérito único do elenco maravilhoso ou da música composta com precisão por Marcelo Zarvos, mas da capacidade que Barreto tem de mergulhar no olhar romântico que Bishop provou possuir em seus poemas. A captação de ações aparentemente banais fazem toda a diferença nesta história, como o modo que Bishop organiza o escritório que converterá em sua fortaleza artística ou mesmo quando enxágua os longos fios negros de Lota na banheira.

Se o roteiro de Julie Sayres, posteriormente revisado por Matthew Chapman, não é capaz de se esquivar de erros como tornar a língua inglesa mais presente do que o tolerável e de quase vilanizar duas personagens secundárias que vão intervir de algum modo no relacionamento de Bishop e Lota, ao menos a singularidade dessas suas personagens reais foram mantidas. No processo de uma mulher que se fortalece enquanto a outra, outrora inabalável, se enfraquece, Bruno Barreto faz de “Flores Raras” uma de suas melhores obras dentro de uma carreira bem-sucedida em sua alternância entre os cinemas nacional e internacional.

Reaching for the Moon, 2013 | Dirigido por Bruno Barreto | Roteiro de Julie Sayres e Matthew Chapman, baseado no livro “Flores Raras e Banalíssimas”, de Carmem Lucia de Oliveira | Elenco: Miranda Otto, Glória Pires, Tracy Middendorf, Marcello Airoldi, Lola Kirke, Tânia Costa, Marianna Mac Niven, Marcio Ehrilich, Anna Bella e Treat Williams | Distribuidora: Imagem Filmes

3 Comments

  1. “Flores Raras”, na minha opinião, foi um dos melhores filmes de 2013. Uma obra muito sensível e bonita, dirigida com muita competência por Bruno Barreto e perfeitamente encenada por um elenco maravilhoso, com destaques para Miranda Otto e Gloria Pires, além de Tracy Middendorf.

    • Kamila, daí o Barreto vai do céu ao inferno ao se meter com aquele “Crô”. Ele é um cineasta muito bom, uma pena que perca tempo fazendo comédia tola.

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers:

%d blogueiros gostam disto: