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Homenagem a Nicole Kidman

Nicole Kidman

 

por Alex Gonçalves
Cine Resenhas

O cinema é um universo abrangente que permite a qualquer espectador criar um fascínio imediato pelas estrelas responsáveis pela arte da interpretação. Marilyn Monroe é ainda reconhecida por uma sensualidade insuperável que hipnotiza a todos que assistem qualquer uma de suas comédias atrevidas. Daniel Day-Lewis trabalha esporadicamente, mas sempre arrebata com o modo com que se compromete em compor cada um de seus papéis. Recordista em nomeações ao Oscar, Meryl Streep é capaz de incorporar qualquer personagem. São alguns exemplos notórios de intérpretes que zelam (ou zelavam) por suas reputações artísticas e que nós sempre depositamos confiança ao ver os seus nomes com destaque em um pôster.

Homenageada neste espaço em seu 47º aniversário, Nicole Kidman já havia conquistado o meu coração quando ainda era uma criança. Como irmão de duas garotas que suspiravam em suas juventudes por Tom Cruise, era comum ver e rever, tanto em VHS quanto na tevê aberta, produções bobinhas como “Dias de Trovão” e “Um Sonho Distante”. Naquela época, Nicole Kidman era casada com Tom Cruise, mas não tardou em buscar projetos que a fizessem sair da sombra de seu marido. Os feitos foram mais expressivos após um episódio particular dramático: o divórcio entre Tom e Nicole. Chegou ao fim o relacionamento entre o casal mais famoso em Hollywood, mas eis que surge uma Nicole Kidman renascida, preparada para explorar novas possibilidades como atriz.

Acredito na força que o cinema tem em mudar as nossas perspectivas sobre quem somos e onde estamos inseridos. Eis que Nicole protagonizou três filmes essenciais para o meu amadurecimento tanto como cinéfilo quanto indivíduo. “Os Outros”, o meu filme favorito de todos os tempos, traz uma possibilidade pouco favorável quanto ao que nos aguarda quando nossa existência no plano material chegar ao fim. Em “As Horas”, há três retratos maravilhosos sobre os desejos e o quanto podemos ser infelizes quando eles são reprimidos. Por fim, há “Dogville” e a perspectiva desesperançosa de Lars von Trier, que acredita que a humanidade somente reprisa os erros das gerações passadas. São filmes com cargas emocionais pesadíssimas e que refletem a estratégia que Nicole Kidman viria a tomar a partir de então: de se doar para diretores que a explorassem de corpo e alma.

Para comprovar essas e outras qualidades, tive o prazer de contar com a colaboração de Brenno Bezerra, Paulo Soares e Wanderley Teixeira, três amigos que nutrem essa paixão intensa por esta que é uma das maiores dádivas do cinema em atividade e que ainda tem uma longa carreira pela frente. Além dos depoimentos individuais, há também um top 10 elaborado por cada um de nós.

Feliz aniversário, Nicole!

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Top 10

01. Os Outros (2001)
02. Dogville (2003)
03. As Horas (2002)
04. Um Sonho Sem Limites (1995)
05. Cold Mountain (2003)
06. Reencarnação (2004)
07. Segredos de Sangue (2013)
08. Flertando – Aprendendo a Viver (1991)
09. A Pele (2006)
10. Retratos de Uma Mulher (1996)

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Nicole Kidman 80'

por Brenno Bezerra
Cinema com Brenno

Quando explano para alguém sobre o amor que tenho pela sétima arte, confesso que não consigo responder sobre quem é o meu ator ou diretor favorito, nem sei qual é o meu filme predileto. Mas nesse fanatismo, um nome em muito me encanta: Nicole Kidman. Falar sobre como surgiu meu fanatismo por essa atriz é até bizarro. O ano era 2001, eu tinha onze anos e já era algo em torno de sete de noite, quando uma forte dor de cabeça me abateu. Criança sem saber o que fazer, deitou-se bem próxima a um ventilador forte, como se o frio fosse aliviar a dor. Resultado: sono precoce. Diante disso, acordei de madrugada, e sem conseguir voltar a dormir, liguei a televisão. O filme era “Malícia”, e aquela mulher loura, que eu nunca tinha visto, em muito chamava minha atenção. Os créditos finais mataram minha curiosidade. Aquele nome não saía de minha cabeça.

Morei desde que nasci até os quinze anos no interior do Maranhão (moro inclusive hoje, após cinco anos na capital). Cinema na cidade? De forma alguma. Locadora? Apenas uma. Internet? Demorou muito a chegar. A “Tela Quente” salvou bastante meu fanatismo de cair em desgraças. Porém, sempre lia os jornais para ver quais filmes estavam em cartaz, os atores do momento, colunas de arte e cultura… Até que um dia, um veículo impresso trazia a lista dos indicados ao Oscar 2002. Lá vou eu todo curioso saber quem estava na disputa. E lá estava na categoria de Melhor Atriz: Nicole Kidman, por “Moulin Rouge”. Pronto. Naquele momento pus em minha mente que aquela era a pessoa que eu ia venerar. Seu nome quando era tido, fazia meus olhos brilharem. Cada filme seu que eu via, era meu preferido, e seu talento era incontestável.

Minha mudança para São Luis em muito melhorou minha vida. Já tinha comigo todos os artifícios para viver mais o cinema e seguir a vida da Nic. Não nego que fui ficando mais culturalizado e de mente aberta, a ponto de saber reconhecer vacilos. Mas meu lado fã fala mais alto. Hoje, e desde sempre, vivo a seguir sua carreira, querer saber notícias sobre sua vida, seus projetos. Quando criticada, fico triste como um pai vê seu filho sendo esculachado publicamente. Uma atriz que fez o que fez no já citado “Moulin Rouge”, em “Os Outros” ou “Reencontrando a Felicidade” nunca me fez perder a crença de que grandes atuações pode vir a qualquer momento, mesmo que muitos ainda demonstrem prazer em estar criticando implantes de botox.

O mais marcante, sem dúvida, foi o dia 23 de março de 2003, quando eu fiquei acordado até Denzel Washington falar: “And The Oscar Goes To… By a Nose… Nicole Kidman”. Em plena madrugada, fiquei pulando em casa sem parar, como o torcedor de futebol vibra o gol de seu time. Era o momento em que o mundo via Nicole Kidman ser consagrada com uma interpretação arrebatadora em “As Horas”. Em seu discurso, pediu que sua filha Isabella tivesse orgulho dela. Tal pedido, sinto como se fosse para todos os seus fãs, e agora eu digo: “Nicole, eu tenho orgulho de você”.

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Top 10

01. Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2001)
02. As Horas (2002)
03. Os Outros (2001)
04. Happy Feet: O Pinguim (2006)
05. Reencontrando a Felicidade (2010)
06. Cold Mountain (2003)
07. A Bússola de Ouro (2007)
08. Dogville (2003)
09. Um Sonho Sem Limites (1995)
10. A Pele (2006)

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Nicole Kidman 90'

por Paulo Soares
@Pauloscorsa

“Estou sempre à procura de personagens e diretores que me desafiem. Eu quero ser levada para lugares que nunca fui. Eu não penso em função da minha carreira. Não tenho planos. Não faz parte da minha natureza.” Dentre as frases com que Nicole Kidman se descreve, nenhuma poderia ser melhor para delinear com precisão o reflexo de sua já longa e brilhante carreira. Uma atriz que sempre se coloca trabalhando firme naquela linha tênue que separam as atrizes de fato das atrizes de ocasiões, as estrelas fulgazes das estrelas eternas; tudo isso resultando em uma das atrizes mais ousadas e versáteis de sua geração, que chega aos seus 47 anos mostrando pleno vigor artístico, e dando notáveis sinais de que continuará desafiando e sendo desafiada, conteste quem contestar! Nos acertos e nos erros sim, porém jamais pautada pelo medo e insegurança!

Na difícil missão de enumerar um top 10 de suas notáveis performances, seguem aquelas que se completam e formam um conjunto de desempenhos e projetos invejáveis que deveriam servir de espelho para todo artista que deseja encarar a arte em toda sua expressão máxima e explorado seus limites.

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Top 10*
01. Satine, Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2001)
02. Virginia Woolf, As Horas (2002)
03. Anna, Reencarnaçao (2004)
04. Grace Stewart, Os Outros (2001)
05. Suzanne Stone Maretto, Um Sonho Sem Limites (1995)
06. Grace Margaret Mulligan, Dogville (2003)
07. Becca, Reencontrando a Felicidade (2010)
08. Alice Harford, De Olhos Bem Fechados (1999)
09. Rae Ingram, Terror a Bordo (1989)
10. Isabel Archer, Retratos de Uma Mulher (1996)

*por interpretação

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Nicole Kidman 2010'

por Wanderley Teixeira
Chovendo Sapos | Coisa de Cinéfilo

O colega Alex Gonçalves me pediu para falar sobre Nicole Kidman e todos sabem como é difícil para mim fazer uma defesa de uma obra ou de alguém que me é tão especial quanto a nossa estrela preferida, que faz aniversário nesta sexta-feira. Todo relato me parecia uma melosa declaração de um fã que, aos 27 anos, tenta manter um certo equilíbrio emocional ao falar do seu ídolo, mas não consegue. Então resolvi contar como e porque ela se tornou um ícone para mim a partir de “primeiras” experiências com a atriz nas telonas.

O primeiro filme de Nicole Kidman que me recordo de ter visto no cinema foi ‘Batman Eternamente” em 1995 e nem foi por causa da Nicole, foi por causa do Morcegão mesmo. As coisas foram diferentes em 2001… Descendo de um balanço, ostentando uma cartola e um collant de diamantes, Kidman, ou melhor, Satine, cantava “Diamonds are a girls best friends”, canção que décadas passadas tinha sido imortalizada pela loira curvilínea Marilyn Monroe em “Os Homens Preferem as Loiras”. Agora, “Diamonds” seria cravada na minha memória por uma longilínea ruiva em “Moulin Rouge – Amor em Vermelho”.

Ali, Nicole recebia a alforria de um casamento que visivelmente podou o seu talento e se revelaria a atriz que conhecemos hoje, colocando o seu poder magnético de estrela de cinema a seu favor a fim de se envolver em empreitadas arriscadas com realizadores ecléticos como Alejandro Amenábar, Stephen Daldry, Lars von Trier, Anthony Minghella, Jonathan Glazer, Sydney Pollack, Steven Shainberg, Noah Baumbach, John Cameron Mitchell, Lee Daniels, Park Chan-wook, Werner Herzog e tantos outros que certamente virão.

Alguns lampejos dessa Kidman já tinham surgido em “Um Sonho sem Limites”, “Retratos de uma Mulher” e, principalmente, “De Olhos Bem Fechados”, de Stanley Kubrick, talvez o estopim para essa revolução na carreira e na vida da atriz. No entanto, “Moulin Rouge”  é o que pode ser definido como um marco. Assim como a geração da década de 1960 foi hipnotizada pela garota de programa de luxo de Audrey Hepburn em “Bonequinha de Luxo” e a geração dos anos de 1990 se apaixonou pela doce e desbocada prostituta de rua da Julia Roberts em “Uma Linda Mulher”, a minha geração se apaixonou pela trágica cortesã Satine no musical “Moulin Rouge”. E desde então, #teamkidman! Parabéns, Nicole!

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Top 10

01. Moulin Rouge – Amor em Vermelho (2001)
02. As Horas (2002)
03. De Olhos bem Fechados (1999)
04. Dogville (2003)
05. Os Outros (2001)
06. Reencarnação (2004)
07. A Pele (2006)
08. Reencontrando a Felicidade (2010)
09. Um Sonho sem Limites (1995)
10. Cold Mountain (2003)

One Comment

  1. Caramba, eu me identifiquei tipo %100 com o Brenno Bezerra, naquela época em 2001 eu tinha 11 anos, e me apaixonei por Nicole, meus amigos me chamavam de lésbica kkkkk, pra mim ela era na época a mulher mais linda do mundo, em contra partida eu era super fã de seu trabalho, pra vc ter uma noção todas as senhas era em seu nome, todos os postes kkkkk que resenha!! Hoje eu tenho 25 anos e faço super questão de acompanhar seu trabalho! Eu não sabia de seu discurso ao ganhar o Oscar sobre sua filha Ezabelle, da qual se afastou da mãe junto ao seu irmão, por seguirem “ordens ” da religião de Tom. Li muito sobre isso na Internet, faço questão tbm de acompanhar sua vida pessoal, é muito importante pra mim que ela esteja feliz.

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