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Resenha Crítica | Casa Grande (2014)

Casa Grande

Casa Grande, de Fellipe Barbosa

.:: 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

No plano estático que abre “Casa Grande”, visualizamos à distância Hugo (Marcello Novaes) em sua piscina aquecida ao som de música clássica em uma noite tranquila. Pouco depois, ele adentra a sua residência de luxo, estabelecendo assim o conforto que muitos desejam, mas que poucos alcançam em um país notório por sua escandalosa divergência social.

A trama avança, somos apresentados ao protagonista Jean (Thales Cavalcanti), o filho de Hugo e Sônia (Suzana Pires) e logo descobrimos uma família moldada por aparências. Ainda que Hugo esteja em um aperto financeiro e Sônia demore para sair do figurino de dona de casa fútil, os três empregados, duas domésticas e um motorista, são mantidos, bem como os quatro veículos na garagem e o acúmulo de dívidas.

No dilema entre seguir a sua vocação ou se tornar uma reprise de seu pai, Jean se vê confuso diante do modo como o seu status social dita a relação com os colegas de escola, com uma namorada (Bruna Amaya) que vive na periferia e também com Rita (Clarissa Pinheiro), a empregada com a qual tem uma aproximação muito íntima. É somente saindo da retoma de seu lar que a sua visão de mundo amplia, ainda que às vezes não seja capaz ir além de repetir os discursos de seu pai, algo natural em uma fase de desenvolvimento da própria identidade.

Realizador de “Laura”, documentário exibido no ano passado no circuito comercial que já flagrava uma figura que se mantinha através de máscaras, Fellipe Barbosa se inspira em um episódio particular de sua vida ao conceber “Casa Grande”. Foi quando estava em Nova York estudando cinema que Fellipe recebeu a notícia de que o seu pai quebrou financeiramente.

O envolvimento que tem com os personagens e com a história em que estão inseridos faz de “Casa Grande” um filme na maior parte do tempo autêntico ao colocar em pauta a desigualdade que faz a nossa sociedade se dividir entre os privilegiados e aqueles que são barrados de conseguir o seu lugar ao sol por aspectos que os tornam uma minoria. Uma pena que algumas discussões, como aquela em que o sistema de cotas é defendido pela namorada de Jean enquanto Hugo o contesta, tomam rumos constrangedores ao caricaturar ao extremo uma classe em foco.

2 Comments

  1. Gostei da trama e do seu texto sobre o filme. Vamos torcer para ter uma distribuição decente nas salas de cinema do Brasil.

    • Kamila, acredito que o filme será exibido somente no circuito alternativo, especialidade da distribuidora que o lançará, a Imovision.

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