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Resenha Crítica | Um Momento Pode Mudar Tudo (2014)

Um Momento Pode Mudar Tudo - You're Not You

You’re not You, de George C. Wolfe

Sem grandes destaques prévios no cinema, o americano George C. Wolfe fez o seu debut como diretor de longa-metragem com “Noites de Tormenta”, romance inspirado em uma novela do popular Nicholas Sparks. Insípida, a produção tinha como ponto favorável a escolha de Diane Lane e Richard Gere como protagonistas. A dupla já havia testado a química irretocável em cena em dois encontros anteriores, “Cotton Club” e “Infidelidade”, e respondeu por bons momentos sob as mãos de Wolfe.

Ainda não lançado no Brasil, o romance de Michelle Wildgen “You’re not You” é aparentemente mais interessante que um Nicholas Sparks, mas é novamente o encontro entre protagonistas que faz George C. Wolfe se dar bem. Em “Um Momento Pode Mudar Tudo”, temos duas mulheres que não poderiam ser mais diferentes uma da outra. A primeira é Kate (Hilary Swank, também produtora), uma musicista casada com Evan (Josh Duhamel) e que tem a sua vida perfeita virada pelo avesso ao ser diagnosticada com esclerose lateral amiotrófica. Vem ao seu socorro Bec (Emmy Rossum), uma jovem totalmente inadequada para ser a enfermeira particular de Kate.

É bem evidente que o envolvimento de Shana Feste (diretora dos melosos “Em Busca de Uma Nova Chance” e “Onde o Amor Está!”) no roteiro de “Um Momento Pode Mudar Tudo” pesou contra o progresso dos personagens. George C. Wolfe desenha paralelos interessantes para ilustrar a disfunção que irá acometer o relacionamento entre Kate e Bec. A primeira mantem o controle da situação mesmo descobrindo a infidelidade do marido enquanto a segunda não pensa duas vezes antes de explodir em uma situação de adversidade.

O problema de “Um Momento Pode Mudar Tudo” é a caricatura que invade os personagens secundários, cheios de comportamentos histriônicos. Excetuando o simpático Jason Ritter como um interesse romântico de Bec e Loretta Devine em uma participação extremamente delicada, o círculo social das protagonistas é habitado por mães que jamais abandonam o perfil de dondocas e por amigas desprezíveis.

Por sorte, “Um Momento Pode Mudar Tudo” tem Hilary Swank e Emmy Rossum. Vencedora de duas estatuetas do Oscar, Hilary Swank prossegue se permitindo a encarar papéis desafiadores, obtendo como Kate um resultado distinto de Eddie Redmayne como Stephen Hawking no filme “A Teoria de Tudo”. Ainda que haja um empenho com a sua sonoridade e fisicalidade, é o seu rosto que é privilegiado pela câmera, estampando nos poucos movimentos faciais que lhe restaram a dor de uma doença devastadora. Já Emmy Rossum é uma grata surpresa, criando uma relação de cumplicidade com o espectador a medida que seu desprendimento é substituído pelo afeto a uma vida que se dissipa diante dos seus olhos. Está aí um caso quase exclusivo em que um filme é salvo pela devoção de suas atrizes aos papéis que representam.

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