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Resenha Crítica | Dívida de Honra (2014)

 

Dívida de Honra (The Homesman)

The Homesman, de Tommy Lee Jones

Gênero prestigiado na Era de Ouro de Hollywood e potencializado por cineastas como Sam Peckinpah e Sergio Leone entre as décadas de 1960 e 1970. o faroeste se viu desprestigiado com a vinda de novas gerações. A produção se tornou esporádica e o sucesso só foi obtido por meio de projetos de espírito épico, como “Dança com Lobos” e “Os Imperdoáveis”.

Mesmo que o faroeste esteja desacreditado como uma produção pouco rentável, os sucessos de “Django Livre” e a refilmagem de “Bravura Indômita” permitiram que muitas portas fossem abertas novamente para cineastas interessados em revisitá-lo. Para o cinema, “Dívida de Honra” marca a segunda vez em que Tommy Lee Jones investe no gênero por trás das câmeras. Também é a nova oportunidade para rever regras estabelecidas e assim revirá-las do avesso.

Em “Três Enterros”, já havia removido qualquer indício de heroísmo nos protagonistas com porte de armas e o indefectível chapéu em um contexto contemporâneo. Vai ainda mais longe em “Dívida de Honra” ao apresentar uma mulher nem um pouco omissa na missão em transportar para a cidade três mulheres que perderam a sanidade.

Não estamos diante de um filme feminista, mas sim de algo disposto e com muita coragem em conferir novos direcionamentos a algo que acreditamos ter traçado previamente. E as surpresas nem sempre são agradáveis justamente por estarem em função de um objetivo maior.

Quando acerta, Hilary Swank prova que não há outra atriz americana mais entregue a um papel do que ela, algo que testemunhamos já em sua primeira aparição como Mary Bee Cuddy, a única mulher independente em um cenário árido e de prega falsos valores sobre coletividade. O seu desejo é justamente aquele do qual mulheres que desfrutam de alguma liberdade se negam a ter: arrumar um companheiro para que possa se casar.

Nunca correspondida (nenhum homem a vê como uma esposa preparada à submissão), Mary é a única que se propõe a desafiar o deserto em uma longa viagem para levar Arabella Sours (Grace Gummer), Theoline Belknap (Miranda Otto) e Gro Svendsen (Sonja Richter) em segurança a uma casa religiosa de repouso mantida por Altha Carter (Meryl Streep). Em igual, Arabella, Theoline e Gro compartilham as frustrações de casamentos falidos e um histórico de ações perturbadoras, como assassinato e automutilação.

Tommy Lee Jones não vem apenas como George Briggs, um senhor errante que sela com Mary o compromisso de ajudá-la após esta salvar a sua vida, mas também como o diretor e roteirista que traz uma constatação extremamente amarga sobre a negação ao espaço habitado por suas personagens ou, como se sucede com o seu George, o não pertencimento a nenhum existente e a desorientação que isso converge. “Dívida de Honra” não vai tão longe quando Kelly Reichardt em “Meek’s Cutoff” ao abalar as estruturas do faroeste, mas é um feito ainda assim arrebatador.

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