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Resenha Crítica | Mapas Para as Estrelas (2014)

Mapas Para as Estrelas (Maps to the Stars)

Maps to the Stars, de David Cronenberg

Nada mais efetivo do que tratar sobre anomalias com soluções visuais e David Cronenberg é reconhecido como um dos autores mais favoráveis a essa afirmação desde a sua estreia em 1969 com “Stereo”. Por isso, o público, inclusive o fanático por sua obra, manteve alguns passos de distância quando o canadense lançou dois filmes incoerentes com as suas preferências por serem extremamente orais: “Um Método Perigoso” e “Cosmópolis”.

Tais erros de percurso são superados com “Mapas Para as Estrelas”, um retorno à boa forma de Cronenberg e original ao visualizar Hollywood como um inferno sobre a Terra em que transitam estrelas, anônimos decadentes e almas mortas que transformaram esse distrito de Los Angeles permanentemente em limbo. Claro, com todas as estranhezas explícitas ao nosso olhar.

Prestigiado exatamente por ser fiel às perturbações de sua mente, muitos astros gabaritados costumam se livrar das próprias amarras no privilégio em estar sob o comando de Cronenberg. Não é diferente em “Mapas Para as Estrelas”, no qual temos Mia Wasikowska como protagonista. Ela é Agatha Weiss, uma jovem com o corpo marcado por queimaduras que regressa à Hollywood na limusine do motorista de luxo Jerome Fontana (Robert Pattinson), este obstinado em construir uma carreira como ator.

Ao ser contratada por Havana Segrand (Julianne Moore), uma atriz prestes a sucumbir o ostracismo, para ser a sua assessorista, algumas informações sobre o seu passado são reveladas. Como o fato de ser irmã de Benjie Weiss (Evan Bird), o astro-mirim do momento. Os seus pais Stafford (John Cusack) e Christina (Olivia Williams) a negam por razões que resultaram em sua deformação. Ao redor deles, há os fantasmas, como Clarice (Sarah Gadon), que desestabiliza o emocional já corrompido de Havana.

Novelista de sucesso, Bruce Wagner assina o roteiro tendo como alter ego o personagem de Robert Pattinson. Bem como Jerome, Wagner pagou as contas como motorista de Hollwyood ao mesmo tenho em que ansiava por alguma fama. A proximidade com este universo exclusivo garante fidelidade ao que existe por trás dos mitos. Não só com casos de ruínas de reputações (há vários rapazes e garotas como Benjie na indústria americana que não passam bem pela transição da infância para a juventude), como também em diálogos que fazem personagens fictícios dividirem o mesmo terreno com figuras públicas reais (Carrie Fisher faz uma participação como si mesma).

Porém, é na progressão em como os personagens vão perdendo o que restou de sanidade que Cronenberg se manifesta para nos levar a algum lugar nada seguro e acolhedor, removendo-nos de uma zona de conforto enquanto nos confundimos entre o fascínio e o asco. O efeito disso é convertido em risos nervosos, como na comemoração de Havana por uma fatalidade, cantarolando um sucesso do “Stream”, “Na Na Hey Hey (Kiss Him Goodbye)”. Desconcertante e, como nos melhores de Cronenberg, obrigatório.

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