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Resenha Crítica | Em Nome da Lei (2016)

Em Nome da Lei, de Sérgio Rezende

Nascido em 1949 e formado em Direito no final da década de 1980, o juiz federal Odilon de Oliveira tem tanta convicção de seu papel em cumprir com a lei que isso custou a sua própria liberdade. Incisivo em desmantelar o tráfico de drogas na fronteira entre o Paraguai e o Brasil, Odilon se viu ameaçado por um sem número de criminosos, estando há anos escoltado por policiais federais 24 horas por dia.

Trata-se de uma grande figura real, não conhecida como o merecido devido a própria situação em que está enclausurado por defender o certo em um país marcado pela violência e valores facilmente corrompidos. Por isso mesmo, Sérgio Rezende parecia a escolha correta para “Em Nome da Lei”, o seu primeiro longa-metragem após o subestimado “Salve Geral”.

O diretor é responsável por uma filmografia que tem como ápice o registro político de uma época tendo como protagonista um grande líder ou representante para um impasse, justamente o principal aspecto de “Em Nome da Lei”. Entretanto, Odilon, por meio do roteiro também assinado por Rafael Dragaud, é transformado em Vitor, um jovem idealista mais ingênuo do que audaz.

Bem-apessoado, Mateus Solano é um talento inadequado para o papel, mais seguro no jogo de sedução com a procuradora Alice (Paolla Oliveira) do que em por em ação os casos que buscam arruinar as operações ilegais de Gomez (Chico Diaz), líder de uma máfia de drogas que exerce forte influência inclusive em agentes da lei e que costuma zelar pelo bem-estar de sua família.

Ainda que as locações em Dourados emulem bem as intermediações das linhas que separam dois países, a produção privilegia uma estética limpa, raramente captando a sordidez que ronda uma teia de crimes tecida por traficantes, ilegais, corruptos e indivíduos íntegros. Há também soluções fáceis no roteiro, praticamente ditadas por envolvimentos amorosos, seja entre Vitor e Alice, seja entre os bandidos Cebolinha (Silvio Guindane) e Hermano (Emilio Dantas) respectivamente com a personagem de Carolina Chalita e Luna (Juliana Lohmann). É como ver um filme sintonizado com os nossos tempos e ainda assim soar antiquado.

2 Comments

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Acho que é um bom momento para um filme como “Em Nome da Lei” estrear. Vou assisti-lo sem qualquer expectativa, da mesma maneira como fiz com “Operações Especiais”, e espero sair da sala de cinema surpreendida positivamente.

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