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Resenha Crítica | Prova de Coragem (2015)

Prova de Coragem, de Roberto Gervitz

Diretor bissexto, Roberto Gervitz adaptou três escritores de prestígio em estágios distintos de uma carreira que dura mais de 35 anos. A sua estreia na ficção veio em 1987 com “Feliz Ano Velho”, homônimo de um dos romances mais populares da literatura nacional, assinado por Marcelo Rubens Paiva. Em 2005, um conto de Julio Cortázar, “Manuscritos Achados num Bolso”, serviu de mote para “Jogo Subterrâneo”. Agora, é “Mãos de Cavalo”, de Daniel Galera, que leva Gervitz mais uma vez para detrás das câmeras.

Em comum, os textos sugerem um fascínio do diretor e roteirista por personagens com pendências com o passado, sendo elas elucidadas ou não no curso da narrativa. Esse mistério cerca Hermano (Armando Babaioff), cirurgião e entusiasta da escalada esportiva que não recebe bem a notícia de gravidez de sua mulher Adri (Mariana Ximenes), uma artista plástica se preparando para um novo projeto de exposição.

Sugere-se que uma gestação anterior foi interrompida com um aborto. O relacionamento do casal também não é dos mais pacíficos, principalmente por algumas condutas individualistas, como a postura machista de Hermano ao se defender como o homem que mantém a casa e a insistência de Adri em fazer um trabalho fisicamente exaustivo mesmo alertada pelo seu médico (interpretado por César Troncoso) que de enfrenta uma gravidez de risco.

A responsabilidade sobre a desarmonia na dinâmica do casal recai sobre Hermano, no entanto. É o seu passado que será decifrado a partir do segundo ato de “Prova de Coragem”, associando a negação de paternidade e a incapacidade de uma atitude mais ativa de Hermano com uma adolescência marcada por um acontecimento brutal que atingiu diretamente a formação de sua identidade.

Soa promissor, mas “Prova de Coragem” prefere investir em simbolismos que, no fim das contas, não nos leva a lugar algum. Seja a figueira que fascina Adri ao ponto de resgatá-la para ocupar toda a área externa de seu ateliê, seja o montanhismo praticado por Hermano – ou mesmo as suas mãos brutas, uma ligação ao protagonista literário de Daniel Galera, não consta um elemento puramente cinematográfico que remova “Prova de Coragem” do terreno das trivialidades, sendo prejudicado ainda por uma montagem sem cadência de Manga Campion. Esperava-se mais deste novo regresso de Gervitz ao cinema.

2 Comments

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Gosto de Daniel Galera (“Cão Sem Dono”) e gosto de Roberto Gervitz (“Jogo Subterrâneo”). Uma pena que esse filme não tenha saído a contento, mas, mesmo assim, se tiver a oportunidade, assistirei!

    • Kamila, admito que não li nada do Galera, mas curiosidade não faltou após conhecê-lo na coletiva do filme. Já “Jogo Subterrâneo” é fácil um dos meus filmes nacionais favoritos. Fiquei muito desapontado com o resultado obtido pelo Gervitz aqui.

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