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Resenha Crítica | Entre Idas e Vindas (2016)

Entre Idas e Vindas, de José Eduardo Belmonte

Desde que estreou em longa-metragem com “A Concepção”, ficou clara a assinatura autoral de José Eduardo Belmonte, que posteriormente seguiria um caminho de personagens em dramas urbanos e transgressores em “Meu Mundo em Perigo” e “Se Nada Mais Der Certo”. É também o realizador que experimentou uma transição ousada em sua carreira, abraçando o cinema popular de gênero com “Billi Pig” e “Alemão”.

Belmonte parece viver em um momento alto-astral e isso reflete em seus textos, o que nos faz chegar a “Entre Idas e Vindas”. De longe, é o melhor filme de sua nova fase. Trata-se de uma comédia romântica totalmente afável, investindo as energias que seriam depositadas em algo que se desenvolve e se resolve com complicações no carisma dos personagens.

De um lado, temos Afonso (Fábio Assunção), pai solteiro de Benedito (João Assunção, também filho de Fábio na vida real), que se estagna na estrada ao rumar para São Paulo. No dia seguinte, ambos têm a sorte de cruzar o ônibus de Amanda (Ingrid Guimarães), viajando para o que seria a despedida de solteira de Sandra (Alice Braga) na companhia das amigas Cillie (Caroline Abras) e Krisse (Rosanne Mulholland).

Todos eles têm identidades muito bem definidas, especialmente pelas crises amorosas que carregam. Afonso e Benedito sofrem respectivamente com a ausência da mulher e da mãe, vindo a ser a mesma mulher.  Amanda levou um fora ao saber que não poderia engravidar. Sandra está indecisa entre casar ou não, uma vez que descobriu a infidelidade de seu noivo com a prima dela. Cillie e Krisse são mais bem equilibradas, ainda que seja patente alguma ausência de afeto.

Por mais óbvio que soe o arco dramático de cada personagem, é curioso como Entre Idas e Vindas busca um tratamento adulto para os impasses sem que precise penalizar o humor para isso. Belmonte, com o apoio de Cláudia Jouvin no roteiro, força a parada em uma ou outra cidadezinha notória por alguma excentricidade, tendo também um ambiente mais aberto para que cada um discuta as relações ou iniciem novas, algo que se desenha entre os flertes entre Afonso e Amanda.

Claro que há inconsistências. É difícil acreditar na viabilização de uma “excursão” de um quarteto de amigas que trabalham com teleatendimento, mesmo com a justificativa pífia do veículo pertencer ao tio da personagem de Ingrid Guimarães. Há também um desserviço aos momentos mais vulneráveis de Fábio Assunção, sempre tomados por uma trilha sonora intrusiva. Problemas de menos em um filme que parece ter algo a oferecer além do descompromisso e que traz Belmonte se comunicando com mais clareza sobre temas que lhe são caros, como amizade e família. Vem a ser também um bom indício para o que Belmonte prepara para depois, como o terror “Aurora”, já em pós-produção.

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