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Resenha Crítica | Um Namorado Para Minha Mulher (2016)

Um Namorado Para Minha Mulher, de Julia Rezende

A partir do roteiro assinado por Pablo Solarz, o diretor Juan Taratuto transformou “Um Namorado Para Minha Esposa” no maior fenômeno argentino de 2008, ficando durante sete semanas no topo de arrecadação das bilheterias do país. Básica, a premissa se mostrou eficiente ao tratar das contradições enfrentadas por um homem que contrata um sujeito para seduzir a sua companheira, algo que descomplicaria um desejado divórcio.

Como é complicado assegurar que um filme estrangeiro repita em outros mercados o sucesso de sua terra natal, a solução foi vender os direitos para a produção de refilmagens. Muitos não sabem, mas a nossa versão vem a ser a quinta: Coreia do Sul, Itália, Malásia e México já lançaram os seus “Um Namorado Para Minha Esposa” e há rumores de que os americanos também pensam em contar a mesma história.

Com uma modificação sutil no título, “Um Namorado para Minha Mulher” mostra o enfado de Chico (Caco Ciocler) em um casamento de 15 anos com Nena (Ingrid Guimarães). Dono de um antiquário, ele é um daqueles sujeitos pacatos com dificuldades de verbalizar os seus sentimentos e opiniões. Por isso mesmo, não sabe como romper com Nena, uma mulher sem emprego que passa o dia em casa se queixando sobre tudo.

Entra em cena Corvo (Domingos Montagner), um artista circense que cobre o tempo livre trabalhando como um conquistador barato com a missão de levar um casal a romper. Uma vez consolidada a sua contratação, Corvo começa a seguir Nena para identificar a sua personalidade, preferências e habilidades. Estabelece com ela uma cumplicidade que a fará ter uma perspectiva mais positiva sobre a vida, operando mudanças que serão notadas por Chico, que por sua vez reflete o quanto ainda a ama.

Diretora de “Meu Passado Me Condena” e de sua continuação, é evidente que Julia Rezende está interessada em lidar com projetos com grande apelo popular para assim conduzir outros com mais personalidade, que são capazes de encontrar um meio termo entre o blockbuster de mais de um milhão de ingressos vendidos e o cinema autoral. Lançado no ano passado, o bom “Ponte Aérea” foi um indício desse desejo.

O mesmo pode ser dito sobre Ingrid Guimarães, que formou um público bem cativo a partir de “De Pernas pro Ar”, lançado há seis anos. Além deste “Um Namorado Para Minha Esposa” e do já exibido “Entre Idas e Vindas”, Ingrid está em “Um Homem Só”, em que poderá ser vista em uma personagem com traços melancólicos bem evidentes.

Aliás, a atriz vem a ser a maior virtude de “Um Namorado Para Minha Esposa”. Impressiona a vontade com a qual se entrega a uma personagem sem qualquer carisma, ainda assim conseguindo humanizá-la ao ponto de nos fazer ter maior empatia por ela do que por Chico. Os melhores momentos são inclusive aqueles em que o improviso é perceptível, a exemplo de um teste que faz para um emprego em que expõe todas as suas insatisfações sobre velhos hábitos alheios.

Ainda assim, não há como não lamentar certa imaturidade do roteiro para lidar com o seu desenvolvimento e algumas de suas resoluções. Se o primeiro ato é promissor com o registro bem crível do cotidiano de um casal preso a uma rotina sem encantos, a comédia e o romance acabam se flexibilizando justamente com a entrada do Corvo de Domingos Montagner, restando à Ingrid assegurar alguma coesão a partir de um papel a princípio criado para ser detestado.

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