Resenha Crítica | A Menina Índigo (2016)

A Menina Índigo, de Wagner de Assis

Associado a uma tonalidade particular do azul, índigo é também o nome conferido para uma geração de crianças e adultos que alguns julgam possuir um dom apaziguar o seu entorno. Teriam a habilidade de curar enfermidades, bem como um ambiente em desarmonia. Anjos sobre a terra, enfim.

O nome de Wagner de Assis na direção e roteiro pode conectar “A Menina Índigo” automaticamente a “Nosso Lar”. As aparências enganam. Aqui, as coisas pretendem se desdobrar mais em um campo quase fabuloso, de realismo fantástico, do que necessariamente espírita. Quando se fala sobre o além, é unicamente quando os protagonistas se questionam se há mesmo algo, um deus, com um plano para justificarem as suas existências.

Filha de Ricardo (Murilo Rosa) e Luciana (Fernanda Machado), Sofia (Letícia Braga) é uma garota em crise com o ambiente escolar, temporariamente se afastando dele após ser flagrada fazendo pinturas abstratas por todos os cantos da sala de aula. Ela vive com Luciana, que a cede em período integral para Ricardo, jornalista de uma influente publicação.

Somente Luciana sabe exatamente o que se passa com Sofia, inclusive negligenciando a sua função maternal para aliviar a barra de monitorar com fervor uma criança que aos poucos passa a ser procurada por vizinhos que descobrem as suas habilidades para combater enfermidades com apenas um toque. Portanto, o foco é em Ricardo, que aos poucos vai aprendendo a cuidar e a preservar Sofia enquanto passa por dilemas profissionais, como a de expor o seu pai empresário interpretado por Paulo Figueiredo em uma matéria sobre um esquema de corrupção.

Tudo é muito higienizado e inocente em “A Menina Índigo” e o prejuízo desse tom se dá com uma escolha equivocada de perspectiva. Seria adequado caso a visão de mundo adotada fosse a de Sofia, intacta diante do universo impuro dos adultos. Como é Ricardo o centro de todas as provações, a narrativa tropeça em imaturidades, sustentando a todo custo uma vontade de encantar que aborrecerá em cheio aos mais céticos dos espectadores.

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+ Entrevista com o diretor e roteirista Wagner de Assis
+ Entrevista com Murilo Rosa e Fernanda Machado
+ Entrevista com Letícia Braga

Data:
Filme:
A Menina Índigo
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

1 Comentário em Resenha Crítica | A Menina Índigo (2016)

  1. Resenha justa, embora vá irritar muita gente. De qualquer maneira é pouco provável que o cinema espiritólico produza alguma obra-prima. Boas intenções não são suficientes.

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