Resenha Crítica | Gaby Estrella: O Filme (2018)

Gaby Estrella: O Filme, de Cláudio Boeckel

Com o cinema brasileiro apresentando uma crise preocupante de público em 2017, no qual somente três filmes foram capazes de serem vistos por mais de um milhão de espectadores, é um pouco compreensível que alguns produtores estejam pensando no conteúdo televisivo como medida para assegurar um público previamente fidelizado. Taí “Carrossel”, “Detetives do Prédio Azul”, “Historietas Assombradas” e outros comprovando uma tendência que está longe de chegar ao fim.

Exibido no Gloob desde 2013, “Gaby Estrella” fechou o seu ciclo com três temporada, totalizando 124 episódios. Também rendeu spin-off, “Dicas de Estilo Gaby Estrell”, disponível no YouTube. A diferença da versão cinematográfica das citadas anteriormente é que a roteirista Carina Schulze ao menos pensa em decisões que não o fazem ser considerado um mero episódio alongado.

O problema está em todo o resto: mesmo em uma premissa com início, meio e fim com algum escopo, nada é realmente cinematográfico em “Gaby Estrella”. Os desdobramentos possuem inconsistências gritantes e que nos fazem questionar se o texto foi devidamente submetido para novos tratamentos. Os raros números musicais não soam pensados para a tela grande do cinema. Há até uma noção de que aspectos técnicos fundamentais foram negligenciados, como uma mixagem de som que evidencia que muitas cenas foram dubladas com pressa na pós-produção.

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Aqui, Gaby Estrella é vista em um momento de impasse em sua carreira como cantora, pois a concorrência tem se mostrado cada vez mais forte, especialmente por ter um empresário que a pressiona a pensar junto com o seu assessor Julio (Victor Lamoglia) em estratégias que a façam atingir uma popularidade maior para bater os números obtidos por Natasha (Luiza Prochet), a sua principal rival. Dá que tudo isso colide com o pedido de ir para Vale Mirim, cidade em que nasceu e para a qual regressa para vigiar a sua avó Laura (Regina Sampaio), que está com a saúde debilitada.

É evidente que “Hannah Montana” seja uma espinha dorsal para “Gaby Estrella”, configurando em um produto nacional mantido a partir de fórmulas testadas e aprovadas lá fora. Não à toa, a personagem segue rumos parecidos com os de Hannah em sua aventura no cinema, no sentido de expor um caso de família (Gaby tem uma relação conflituosa com a sua prima Rita, interpretada por Bárbara Maia) que a faz concluir que o sucesso só é possível quando somos fiéis com as nossas raízes. Convence tanto quanto a meta de se manter em alta para se apresentar no Roçafest: afinal, para quê estabelecer como desafio central da narrativa a obtenção de dois milhões de inscritos em seu canal no YouTube para ter o seu nome confirmado em um festival musical que sequer preenche a sua capacidade de público?

Data:
Filme:
Gaby Estrella: O Filme
Avaliação:
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Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Resenha Crítica | Gaby Estrella: O Filme (2018)

  1. Parabéns pela entrevista com o elenco do filme.Estou aguardando “Gaby Estrela” estrear na minha cidade,para conferir.

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