Quem viveu muito bem os anos 1980 e 1990, ou até mesmo assistia às reprises de filmes de terror no TV Terror da RedeTV!, deve ter acompanhado toda a franquia de Jason Voorhees, a mais extensa em todo o gênero. O vilão já foi esfaqueado, atropelado, explodido, congelado, eletrocutado e nada foi capaz de detê-lo.
Isto é um fato que talvez soe infeliz, vendo a bagunça que a série se tornou desde o seu quinto episódio. Hoje, somado com “Freddy X Jason” e o novo “Sexta-Feira 13”, mistura de prequel com refilmagem, temos ao todo doze títulos cinematográficos somente com o personagem. Vale lembrar que, mesmo sendo a sua mãe, Pamela Voorhees, a assassina da fita original, Jason surge em uma ponta assustadora no desfecho.
Como não há mais criatividade para trazer Jason ao mundo, que o faça em uma refilmagem. Mas a visão de Marcus Nispel é tão ruim quanto a dos episódios mais constrangedores de “Sexta-Feira 13”, como “Sexta-Feira 13 – Parte VIII: Jason Ataca Nova York” (1989), “Jason Vai Para o Inferno – A Última Sexta-Feira 13” (1993) e “Jason X” (2001), para dar uma ideia da dimensão da coisa.
Um resultado cruel para um diretor que realizou uma refilmagem tão eletrizante de “O Massacre da Serra Elétrica”.
“Sexta-Feira 13”, o deste ano, tem duas sequências antes do imenso letreiro anunciando “Friday the 13th”. No primeiro segmento, mais rápido do que deveria, Pamela Voorhees está prestes a matar uma mocinha quando esta se rebela, decapitando-a.
A segunda passagem tem cinco personagens e eles são apenas iscas para o longa apresentar as regras: as garotas que aparecem nuas e os garotos que se deixam levar pelos vícios das drogas e do álcool morrerão. Aqueles que transam, idem.
O restante do filme tem conexão com a descrição dessa segunda parte. E este é o seu problema fatal. Está certo que é um elemento do slasher film, mas a série anteriormente – ou ao menos os seus episódios mais inspirados – não se limitava a este estereótipo.
Ou seja: ao invés de acrescentar alguma informação interessante à mitologia de Jason, o roteiro optou por seguir a linha da morte de personagens inconsequentes.
Ainda que tenha lá uma ou outra morte inspirada, a película não estabelece um tempo maior para a relação de Jason com uma das vítimas (que o confunde passando-se por sua mãe, um lance pego do clímax do segundo “Sexta-Feira 13”, de 1981) ou mesmo quando abandona o saco de pano de cor marrom para esconder a sua estranha face com a famosa máscara de hóquei (referência ao terceiro “Sexta-Feira 13”, de 1982).
Outra falha é a tensão apagada quando as vítimas, na maioria das vezes chapadas, encaram o psicopata como um mero palhaço. Se o filme vai nesse progresso até o final, nem encarando tudo como diversão tolinha e passageira o programa funciona.
★★
Friday the 13th
Direção de Marcus Nispel
Assistido nos cinemas (Warner Bros)

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