Quem viveu muito bem os anos 1980 e 1990, ou até mesmo assistia as reprises de filmes de terror no TV Terror da Rede TV, deve ter acompanhado toda a franquia de Jason Voorhees, a mais extensa em todo o gênero. O vilão já foi esfaqueado, atropelado, explodido, congelado, eletrocutado e nada foi capaz de detê-lo. Isto é um fato que talvez soe infeliz, vendo a bagunça que a série se tornou desde o seu quinto episódio. Hoje, somado com “Freddy Vs. Jason” e o novo “Sexta-feira 13”, mistura de prequel com refilmagem, temos ao todo doze filmes somente com o personagem – vale lembrar que mesmo sendo a sua mãe Pamela Voorhees a assassina da fita original, Jason surge numa ponta assustadora no desfecho.
Como não há mais criatividade para trazer Jason ao mundo, que o faça em uma refilmagem. Mas a visão de Marcus Nispel é tão ruim quanto aos dos episódios mais constrangedores de “Sexta-feita 13”, como “Sexta-feira 13 – Parte VIII: Jason Ataca Nova York” (1989), “Jason Vai Para o Inferno – A Última Sexta-feira 13” (1984) e “Jason X” (2001), para dar uma idéia da dimensão da coisa. Um resultado cruel para um diretor que realizou uma refilmagem tão eletrizante de “O Massacre da Serra Elétrica”. “Sexta-feita 13”, o deste ano, tem duas sequências antes do imenso letreiro anunciando “Friday the 13th”. O primeiro, mais rápido do que deveria, Pamela Voorhees está prestes a matar uma mocinha quando esta se rebela decapitando-a. A segunda tem cinco personagens e eles são apenas iscas para o filme apresentar as regras: as garotas que aparecem nuas e os garotos que se deixam levar pelos vícios das drogas e do álcool morreram. Aqueles que transam idem.
O restante do filme tem conexão com a descrição dessa segunda parte. E este é o seu problema fatal. Está certo que é um elemento do slasher film, mas a série anteriormente – ou ao menos os seus episódios mais inspirados – não se limitava a este estereótipo. Ou seja: ao invés de acrescentar alguma informação interessante a mitologia de Jason o roteiro optou por seguir a linha da morte de personagens inconsequentes. Ainda que tenha lá uma ou outra morte inspirada o filme não estabelece um tempo maior para a relação de Jason com uma das vítimas (que o confunde passando-se por sua mãe, um lance pego do clímax do segundo “Sexta-feira 13”, de 1981) ou mesmo quando abandona o saco de pano de cor marrom para esconder a sua estranha face com a famosa máscara de hóquei (referência ao filme terceiro “Sexta-feira 13”, de 1982). Outra falha é a tensão apagada quando as vítimas, na maioria das vezes chapadas, encaram o psicopata como um mero palhaço. Se o filme vai nesse progresso até o final, nem encarando tudo como diversão tolinha e passageira o programa funciona.
Título Original: Friday the 13th
Ano de Produção: 2009
Direção: Marcus Nispel
Elenco: Derek Mears, Jared Padalecki, Amanda Righetti, Danielle Panabaker, Travis Van Winkle, Aaron Yoo, Jonathan Sadowski, Julianna Guill, Ben Feldman e Nana Visitor.
Cotação: ![]()
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