Resenha Crítica | Jogo Entre Ladrões (2009)

Jogo Entre Ladrões

O cinema americano produz ao menos uma vez por ano algum título cujo centro é um roubo mirabolante. Se entre os longas do ano passado o destaque foi “Um Plano Brilhante“, este ano o representante até o momento é “Jogo Entre Ladrões”.

Quase independente (a fita custou 25 milhões de dólares), o novo projeto da diretora Mimi Leder não teve muita sorte. Não chamou atenção quando exibido no Brasil e, lá fora, nos Estados Unidos, foi lançado diretamente em DVD. Se já não bastasse, a produção originalmente tem dois nomes de batismo: “The Code” e “Thick as Thieves”. Mas não deixa de ser um eficiente exemplar do gênero, que preserva muitos elementos responsáveis por garantir o bom êxito de trabalhos anteriores.

O que movimenta a história é a parceria entre os criminosos Gabriel (Antonio Banderas) e Ripley (Morgan Freeman). Eles elaboram um meticuloso plano para roubar um valioso artefato oval em uma joalheria situada na Rússia.

Além da dificuldade que há em executar esse roubo por conta dos avançados recursos de segurança no local, a dupla tem em seu encalço o Tenente Weber (Robert Forster), que há anos observa as artimanhas de Ripley para poder coletar provas de suas obscuras atividades. Alexandra (Radha Mitchell, em outra excelente performance e incrivelmente sexy), afilhada de Ripley, também marca presença ao se relacionar com Gabriel.

O que vale destacar aqui é a sua diretora, Mimi Leder. Embora a sua pequena filmografia não seja composta por nenhuma grande obra e ela não seja capaz de reverter esse quadro por completo agora, é surpreendente ver uma mulher no comando de uma fita de ação.

O seu melhor momento foi em “O Pacificador”, e aqui ela conduz um divertimento que é extremamente elegante e que distrai bastante durante o seu decorrer, conforme visto na aventura com George Clooney e Nicole Kidman. Para confirmar que isso não é pouco, ela deixa no chinelo frustrações como “Treze Homens e um Novo Segredo”, que contava com muito mais grana em jogo e com um elenco cheio de estrelas.

O primeiro roteiro para cinema de Ted Humphrey dá as suas escorregadas pelo excesso de reviravoltas no clímax, algumas rapidamente esquecíveis, mas o seu texto é bem esperto ao usar referências de “Rififi” e “Topkapi”. Há até uma passagem hilariante, na qual Gabriel se apresenta para o Tenente Weber como Jules Dassin. Mesmo com as ressalvas, o resultado é positivo, especialmente pela ótima sintonia entre o elenco central.

★★★
The Code | Thick as Thieves
Dirigido por Mimi Leder
Assistido em DVD (Imagem Filmes)
Texto originalmente publicado em 20/07/2009

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