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Resenha Crítica | A Espiã (2006)

A Espiã | Zwartboek“Conquista Sangrenta”, longa-metragem de 1985 com Rutger Hauer e Jennifer Jason Leigh no elenco, foi o primeiro filme americano do diretor holandês Paul Verhoeven. Após este seu primeiro passo fora de seu cinema de origem Verhoeven se tornou célebre ao registrar o seu nome em três longas espetaculares e que são fontes para influências até hoje: as ficções “Robocop – O Policial do Futuro” e “O Vingador do Futuro” e o ousado suspense “Instinto Selvagem”, cuja cruzada de pernas de Sharon Stone se transformou em um dos retratos a marcar toda a década passada. No entanto, o cineasta errou ao se envolver com “Showgirls”, que certamente deixou uma marca irreversível em sua carreira. É verdade que ele se redimiu com os bem divertidos e caprichados “Tropas Estrelares” e “O Homem Sem Sombra”, mas os amargos resultados de bilheteria provavelmente foram resultantes para o afastamento de anos de Verhoeven.

A boa notícia é que Verhoeven não poderia voltar de maneira melhor para a cadeira de diretor: “A Espiã” é o seu primeiro filme rodado na Holanda após o distante “O Quarto Homem”, de 1983. No filme, a espetacular Carice van Houten vive a judia Rachel Steinn. Tudo é contado através de um flashback, do qual descobrimos a luta desta mulher em plena Segunda Guerra Mundial. O seu esconderijo, situado em uma fazenda, é bombardeado. Após rever a sua família se une com eles em um grupo de refugiados judeus que tentam se esquivar da ameaça nazista. O problema é que todos são surpreendidos por soldados alemães, sendo todos vítimas de disparos. Somente Rachel sobrevive. Após alguns meses e sem nada a perder torna-se espiã para a Resistência Judaica, tingindo os cabelos (e até mesmo os pelos pubianos – Verhoeven filma o ato com descrição) e se passando por alemã tanto para libertar integrantes da Resistência capturados quanto para se tornar amante do oficial Ludwig Müntze (Sebastian Koch), por quem se apaixona verdadeiramente.

Paul Verhoeven põe em cena todas as características do seu próprio cinema e o revigora pelo cenário que selecionou. Há aqui uma protagonista tão forte quanto, por exemplo, Christine Halsslag (“O Quarto Homem”), Anne Lewis (“Robocop – O Policial do Futuro”) e Catherine Tramell (“Instinto Selvagem”). O erotismo que o consagrou também está presente em “A Espiã”. Não há timidez alguma na exibição da nudez. Por fim, também há todo o trunfo visual que se propaga a partir de atos de violência. Mas o que torna “A Espiã” uma obra singular além desses fatores? A resposta está contida na própria narrativa, desenvolvida pelo próprio diretor com a colaboração de Gerard Soeteman. Dramas manipuladores e as velhas bravuras de guerra, elementos que tornaram o grande acontecimento histórico tão saturado no cinema, definitivamente não imperam em “A Espiã”. Conduzindo com elegância e com uma tensão arrepiante, o thriller é totalmente imparcial. Aqui, judeus revelam-se tão desprezíveis, impiedosos e vilões quanto os nazistas que os aterrorizaram.

Título Original: Zwartboek
Ano de Produção: 2006
Direção: Paul Verhoeven
Elenco: Carice van Houten, Sebastian Koch, Thom Hoffman, Halina Reijn, Waldemar Kobus, Derek de Lint, Christian Berkel, Dolf de Vries, Peter Blok, Michiel Huisman e Johnny de Mol.
Cotação: [5star.jpg]

Sugestão de Wally – Cine Vita

15 Comments

  1. […] A Espiã « Cine Resenhas cineresenhas.wordpress.com/2009/10/07/a-espia – view page – cached Cinéfilo desde a infância, Alex Gonçalves, 19 anos, iniciou as suas atividades no Cine Resenhas em 25 de fevereiro de 2007, ainda que antes disso já tenha preservado outros espaços com suas… (Read more)Cinéfilo desde a infância, Alex Gonçalves, 19 anos, iniciou as suas atividades no Cine Resenhas em 25 de fevereiro de 2007, ainda que antes disso já tenha preservado outros espaços com suas análises. A paixão pelo cinema o motivou a escrever de maneira geral sobre esta fascinante arte, dedicando o seu tempo livre para publicação de seu próprio material. Atualmente trabalha na área administrativa e cursa escolas de Idiomas e Gestão em Negócios, tendo também interesse em audiovisual e fotografia. Está aberto a participar de projetos em outros espaços, assim como expandir o seu ciclo de amizades virtuais. (Read less) — From the page […]

  2. Grande retorno do Verhoeven aos filmes em sua terra natal.

  3. Cara, que coincidencia. Vi esse filme ontem. Devia ter visto nos cinemas – vários amigos me indicaram mas fui desobediente. haha

    Concorso com vc, um filmão muito elegante e ao mesmo tempo com uma imensa capacidade de entreter.

    Abs e parabéns pelo texto!

  4. Alexandre, é verdade! O bom é que após este filme o diretor está ligado em diversos projetos como diretor. O seu próximo filme deve contar com Milla Jovovich como protagonista.

    Bruno, coincidência mesmo, rs. Eu também gostaria de ter tido o prazer de ver este filmaço nos cinemas, mas estes filmes estrangeiros dificilmente passam nos cinemas daqui. Obrigado pelos parabéns, abraços.

  5. Caramba! Outro 9,5? Putz, já entrou pra minha lista tb. Já vi que nesse mês vou ter que me virar pra arrumar um tempinho a mais pros filmes, hehehe. Segundo que já crio grandes expectativas por sua causa, viu? Ah, e sobre o livro, achei interessante a sinopse que vc descreveu no outro comentário, mas confesso que até fiquei frustrado por esse David Gilmour não ser o do Pink Floyd, hehe. De qualquer forma, fiquei interessado pelo que vc descreveu, depois me conte mesmo o que achou do resultado final dessa obra. Abraço!

  6. Bruno, nesta semana estou muito bonzinho. Deve ser por causa do feriado da próxima semana (um dia de folga a mais no trabalho), rs. Mas “A Espiã” é mesmo um filme espetacular, o melhor do gênero desta década ao lado de “O Pianista”. E de fato, uma pena que não seja o David Gilmour do “Pink Floyd”, pois este crítico canadense é um mala! Há um trecho do filme que ele diz que “Nikita” é uma bomba. Como assim? Cara louco! E tudo indica que devo terminar de ler o livro no sábado, já que ando com pouco tempo para a leitura. Pode deixar que aviso. Abraço.

  7. Eu gostei muito desse, filme interessante e envolvente, Carice van Houten tá formidável na atuação. nota 8.0!
    Pela sua nota deu pra ver q gostou muito mais do q eu..hehe..
    Abs! Diego!

  8. linderval souza linderval souza

    O diretor Paul Verhoeven teve a idéia de A Espiã quando fazia pesquisas para Soldado de Laranja (1977). na epoca achou melhor não abordar a resistência holandesa à invasão alemã.Com o orçamento de de 16 milhões de euros A Espiã e o filme holandes mais caro feito ate hoje.Intrigante,sensual simlesmente fantastico,o filme so peca por nao mostrar afundo as atrocidades cometidas daquela epoca onde as forças nazistas mataram 10 milhões de pessoas,6 milhões só de Judeus.!
    NOTA: 9.0

  9. Alex, concordo com o que seu texto expressa. O que gostei de “A Espiã” é como ele consegue envolver o espectador na história, sem ficar monôtono. E Paul Verhoeven voltou as telas com grande estilo.

    Beijos! ;)

  10. Diego, gostei MUITO mais! Fazia tempo que não via nada assim dentro do gênero. Abraços.

    Linderval, eu sabia sobre essas curiosidades, embora eu ainda não tenha conseguido assistir “Soldado de Laranja”, dos quais muitos julgam ser o seu melhor filme. E eu não acho que o filme peca por não encenar as atrocidades dos judeus com seus inimigos. Como destaquei no último parágrafo de minha resenha, a grande virtude do filme se encontra em mostrar que os dois lados da moeda são desprezíveis.

    Mayara, se tem uma coisa que Paul Verhoeven sempre espanta em seus filmes é a monotonia! Beijos.

  11. Que bom que finalmente assistiu! Até demorou, né? Como sabe, não sou dos maiores fãs de Verhoeven, e acho que ele já errou muito, mas acho “A Espiã”, ao lado de “Instinto Selvagem”, seu melhor trabalho.

    Nota 8.0

  12. Wally, acredito que você não tenha visto os momentos mais célebres de Verhoeven, que aconteceu em “Robocop”, “O Vingador do Futuro” e até mesmo “O Quarto Homem”, embora falte eu ver algumas de suas produções holandesas. E de fato, demorei um tempo para assistir. Mas ainda bem que já o fiz. :)

  13. […] filmes recentes como “O Menino do Pijama Listrado“, “O Leitor” e “A Espiã” que se dedicam em dar suas versões distintas sobre o mesmo período. “A Chave de […]

  14. […] premissa? Jens Kessler (Sebastian Koch, de “A Espiã“) acaba de sair da prisão após dezoito anos de cárcere. Ele é aguardado pela sua irmã […]

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