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Resenha Crítica | Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo (2014)

Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo | Foxcatcher

Foxcatcher, de Bennett Miller

.:: 38ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ::.

O título nacional é quase um spoiler para o espectador desavisado. Ao menos que se conheça o escândalo protagonizado pelo milionário John du Pont, “Foxcatcher” é um daqueles filmes em que o melhor a ser feito é vê-lo no escuro. No entanto como é “Uma História que Chocou o Mundo”, o público saberá de antemão que algo muito nebuloso acontecerá em algum instante do filme.

Seja como for, conhecer ao menos a premissa não deverá estragar qualquer surpresa. Em boa parte de “Foxcatcher”, é Mark Schultz (Channing Tatum) que se apresenta como o grande protagonista da história. Ainda que se dedique em tempo integral à luta livre, é evidente que Mark se sinta inferiorizado diante de seu irmão mais velho, Dave Schultz (Mark Ruffalo), uma referência no meio olímpico.

Descoberto por John du Pont (Steve Carell), multimilionário filantrópico que o patrocina ao inseri-lo no Time Foxcatcher de luta livre, Mark encontra a oportunidade para ascender, o que o faz partir para uma interatividade de competitividade com Dave. O que torna perigosa a proximidade desses personagens é a ambição de John du Pont em atingir uma glória perdida, algo muito claro diante dos olhares desaprovadores de sua mãe Jean (Vanessa Redgrave), que desejava um herdeiro que desse continuidade ao tradicionalismo da família du Pont.

Premiado em Cannes como Melhor Diretor, Bennett Miller é um cineasta com um estilo clássico de condução. Ainda que o resultado final possa ser frio, sua virtude está na paciência e pleno controle da história. Não há pressa para contá-la e os personagens são beneficiados com a construção plena de seus perfis.

Em “Foxcatcher”, Bennett Miller também continua se mostrando um grande diretor de elenco ao oferecer papéis de uma carga dramática pesada para atores pouco prestigiados quando lidam com gêneros mais densos. É graças a Miller que o saudoso Philip Seymour Hoffman pôde ser realmente levado a sério após viver Truman Capote, figura real que lhe valeu o Oscar de Melhor Ator. O mesmo aconteceu com Jonah Hill em “O Homem que Mudou o Jogo” e agora com Steve Carell e Channing Tatum – se o primeiro foi nomeado um sucessor de Jim Carrey ao estourar com ‘O Virgem de 40 Anos”, o segundo prova que pode ser mais do que um astro sem personalidade.

Uma vez exaltada todas essas qualidades inquestionáveis, é também preciso dizer que “Foxcatcher” não é o filme irretocável que Bennett Miller promete entregar. Há o respeito a uma estrutura infalível diante do julgamento daqueles que colaboram para a entrada de uma produção em um circuito de premiações, mas o fator humano que determina a relevância de um grande filme parece esquecido em um terceiro ato que não se apropria do potencial psicológico que impulsiona algumas ações drásticas.

2 Comments

  1. Gosto de Bennett Miller, pois ele é um diretor de grandes histórias verdadeiras e que privilegia o trabalho dos bons atores com quem ele trabalha. Estou muito curiosa para assistir a “Foxcatcher”.

    • Kamila, concordo sobre os seus posicionamentos sobre os diferenciais de Bennett Miller. Só acredito que ele ainda não entregou um grande filme.

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