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Resenha Crítica | A Espiã que Sabia de Menos (2015)

A Espiã que Sabia de Menos (Spy)

Spy, de Paul Feig

Com créditos na direção de seriados, bem como em participações especiais em dezenas de comédias, Paul Feig se transformou em um nome mais familiar para o público ao assumir a direção de “Missão Madrinha de Casamento“, a melhor comédia dos últimos tempos. Desde então, fez “As Bem-Armadas” e “A Espiã que Sabia de Menos” – atualmente conclui “As Caça-Fantasmas” e colhe alguns louros pela produção de “Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme”.

Descrita essa fase mais recente de prestígio, algo não é dito como o merecido sobre as comédias de Paul Feig e o quão infalíveis elas são ao extrair verdadeiras gargalhadas do público: as estratégias complexas para que o humor realmente funcione. Com “A Espiã que Sabia de Menos”, essa análise é possível com maior precisão, pois Feig é também o autor do roteiro.

O melhor modelo a ser decifrado é Susan Cooper, a protagonista vivida por Melissa McCarthy. Temos aqui uma quarentona que atua no escritório de uma agência da CIA transmitindo instruções ao vivo para o agente – e interesse romântico – Bradley Fine (Jude Law). Por sua aparência e postura passiva, Susan é desacreditada pelos colegas, excetuando Nancy (a maravilhosa Miranda Hart) sua melhor amiga.

A construção desse perfil para Susan é perfeitamente estabelecida até Bradley ser abatido por Rayna (Rose Byrne) durante uma missão. A partir de então, Paul Feig começa a lançar as cartas. Susan é naturalmente destrambelhada, mas prova que não há nenhuma outra pessoa capaz de prosseguir do ponto em que Bradley foi eliminado para enfim descortinar uma organização de tráfico de armas em que Rayna está diretamente ligada. Quando o perigo se manifesta, Susan demonstra possuir reflexo, habilidade de improviso e força para combate corpo a corpo incríveis.

Não, você não a verá perder o controle de uma arma, que acidentalmente elimina o seu oponente ao cair no chão. Muito menos testemunhará o seu peso extra reduzindo a sua agilidade para golpear alguém. Não encarem as referências somente como uma paródia à franquia “007”: Susan Cooper não deve em nada diante do repertório de um James Bond.

Mesmo na mais escatológica de suas piadas, como aquela em que Susan vomita no corpo do sujeito no qual acabou de derrubar do último andar de um edifício abandonado, Paul Feig é um talento nato e raro ao preencher com camadas dramáticas aquilo que tem como principal função provocar o riso. Compreende Susan Cooper como uma grande personagem porque não a enxerga como um objeto que tem como única função provocar estranheza no mundo sofisticado e perigoso da espionagem, mas por valorizá-la, acima de tudo, como uma mulher extremamente hábil no que se sujeita a executar e que reconhece a sua própria dignidade ao preferir estar ao lado de Nancy, aquela que sempre lhe foi fiel nas adversidades, ao invés do homem dos seus sonhos.

Não se preocupe, não é preciso dar bola para essa perspectiva fria quando conferir “A Espiã que Sabia de Menos” pela primeira vez. Mesmo encarada como um mero passatempo, a comédia é ainda assim espetacular pelo modo como Paul Feig faz um elenco com componentes tão diversificados estabelecer uma dinâmica infalível – quem apostaria que dentro do brucutu Jason Statham haveria um sujeito tão engraçado? E faz crescer o desejo para que uma nova franquia cinematográfica se faça a partir daqui.

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