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Resenha Crítica | Longe Deste Insensato Mundo (2015)

Longe Deste Insensato Mundo (Far for the Madding Crowd)

Far from the Madding Crowd, de Thomas Vinterberg 

Quando tinha 26 anos, Thomas Vinterberg idealizou com Lars von Trier o movimento Dogma 95. Com “Festa de Família”, fez um filme superior ao do amigo, “Os Idiotas”, tendo o seu nome imediatamente propagado mundo afora. Passou dez anos rodando projetos inexpressivos e distantes da promessa anunciada a partir do Festival de Cannes. Recuperou o prestígio com “Submarino”, um drama familiar extremamente amargo.

Avaliando a filmografia do dinamarquês, que inclui “A Caça”, drama controverso de 2012 protagonizado por Mads Mikkelsen, não é fácil aproximá-lo de “Longe Deste Insensato Mundo”, romance de Thomas Hardy publicado em 1874. Trata-se de uma questão de visão sobre o material, um modelo consagrado de obra literária que costuma seduzir realizadores britânicos.

Contrariando as expectativas, Vinterberg não apenas compreende muito bem o texto adaptado por David Nicholls (autor de “Um Dia”), como lhe confere um tratamento que o aproxima da contemporaneidade. Faz um filme extremamente passional e acompanha a quebra de convenções de sua Bathsheba Everdene (Carey Mulligan) com alusões ao modelo de mulher defendido em nossa atualidade.

Bathsheba é pedida em casamento pelo solitário criador de ovelhas Gabriel Oak (Matthias Schoenaerts, ator bruto comovente em um papel sensível). Declinando a oferta, a sorte imediatamente sorri para ela enquanto o azar força ele a recomeçar a vida. Isso porque Bathsheba é comunicada que herdou de um tio falecido a fazenda que mantinha na cidade ao mesmo tempo em que Gabriel tem todo o seu rebanho morto em um incidente.

Tais consequências permitem o reencontro entre ambos, agora com Bathsheba na condição de patroa e Gabriel como seu empregado. Os papéis impedem que ele refaça a sua proposta de união. Além disso, novos pretendentes surgem para intimidá-lo, como o distinto William Boldwood (Michael Sheen) e o sargento Francis Troy (Tom Sturridge), este abalado ao ser esquecido no altar da igreja por Fanny Robbin (Juno Temple).

Ainda que Thomas Vinterberg não tenha muito o que fazer quanto ao excesso de acasos desenhados por Thomas Hardy, ele faz questão de entregar a sua versão em inglês de “Longe Deste Insensato Mundo” sem abrir mão da parceria indispensável com a sua diretora de fotografia Charlotte Bruus Christensen. O uso de câmera na mão faz irromper uma série de emoções que seriam captadas sem a mesma eficácia com a formalidade dos planos fixos.

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