Resenha Crítica | Thor: Ragnarok (2017)

Thor: Ragnarok, de Taika Waititi

Do atual universo da Marvel, os filmes de Thor talvez sejam os menos cativos. Talvez isso aconteça porque são também aqueles em que o tom mais se transforma a cada exemplar, como se funcionassem como obras individuais.

No original de 2011, Kenneth Branagh parecia deslocado em dar os seus característicos tons shakesperianos em algo vindo dos quadrinhos. Melhor foi o que Alan Taylor fez dois anos depois em “O Mundo Sombrio”, bem mais divertido e criativo em sua ação, como o fabuloso clímax em que uma batalha se dá por teletransportes.

Nascido na Nova Zelândia, Taika Waititi surge na terceira aventura solo de Thor para outra vez trazer o Deus do Trovão em algo bem diferente do que já foi proposto. E isso é patente já no vasto material de divulgação, com cores berrantes que parecem saídas de um arcade oitentista.

Tudo isso é um bom sinal, pois assegura que a marca do diretor de “O Que Fazemos nas Sombras” e “A Incrível Aventura de Rick Baker” foi preservada, mesmo dentro de uma produção de escala totalmente distinta com a qual já operou. Há até indícios de que Waititi propôs uma dinâmica de improviso, reconhecível no desempenho de Chris Hemsworth, com um excelente tino de humor antes explorado apenas em “Caça-Fantasmas”.

Porém, o resultado que vai se pintando na tela não é lá tão atrevido. Isso porque as amarras de uma típica aventura de super-heróis voltam a se repetir. Filmes se passaram e Thor e Loki (Tom Hiddleston) seguem no mesmo clima de cumplicidade e traição que já deveriam ter se resolvido. Já a profecia que determina o fim de Asgard é pretexto para encenar a cansada premissa de dominação e destruição de uma humanidade. Mesmo a Hela de Cate Blanchett não se desvincula da extensa lista de vilões esquecíveis da Marvel. E o excesso de humor chega a se exceder ao ponto de ficar infantilizado, como bem aconteceu em “Doutor Estranho”.

A melhor coisa aqui é mesmo o aprisionamento de Thor em um planeta dominado pelo afetadíssimo Grandmaster (Jeff Goldblum). É aí que as faíscas de originalidade surgem, mesmo que o ressurgimento de Hulk (Mark Ruffalo) tenha sido lamentavelmente antecipado pelos trailers. No fim das contas, tantos componentes parecem funcionar melhor quando unidos como o coletivo Vingadores.

Data:
Filme:
Thor: Ragnarok
Avaliação:
31star1star1stargraygray
Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

1 Comentário em Resenha Crítica | Thor: Ragnarok (2017)

  1. Até que eu estava pensando em assistir a este filme, mas não é prioridade no momento, ainda mais depois da sua crítica.

Comente

Follow

Get every new post on this blog delivered to your Inbox.

Join other followers: