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Resenha Crítica | O Som ao Redor (2012)

36ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo

Um dos críticos mais famosos do Brasil, Kleber Mendonça Filho fez carreira no Jornal do Commercio, mas nunca escondeu a sua vontade de um dia fazer cinema. Desde 2002, Kleber realizou alguns curtas premiados, como “Vinil Verde” e “Recife Frio”. No formato de longa-metragem, debutou com o documentário “Crítico”. Em “O Som ao Redor”, faz aquele que é o seu primeiro filme de ficção em longa-metragem. Dada a qualidade do projeto, será o primeiro de muitos em uma carreira que tem tudo para alavancar a partir daqui.

Para alguém que se dedicava em analisar com rigor as mais variadas obras cinematográficas lançadas em circuito nacional, é um risco se submeter no papel de vidraça. O que permite que esta troca de funções, de crítico de cinema para cineasta, seja mero detalhe é a dedicação de Kleber Mendonça Filho em manter a boa reputação do cinema pernambucano e ainda realizar um projeto em que se reconhece uma assinatura de autor.

Há em “Ao Som ao Redor” três atos bem definidos e João, personagem interpretado pelo estreante Gustavo Jahn, pode ser aceito como o verdadeiro protagonista da história. Ainda assim, a narrativa depende mais do registro de gente comum que vive em uma vizinhança de classe média do que um único fio condutor.

Como premissa, podemos dizer que “O Som ao Redor” trata de inúmeras desavenças e segredos que aos poucos são revelados quando surge uma pequena equipe liderada por Clodoaldo (papel de Irandhir Santos, de “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora É Outro”) para oferecer segurança aos moradores como vigias deste cenário, situado na zona sul do Recife. Entre os residentes, há Bia (Maeve Jinkings), uma jovem mãe constantemente perturbada pelos latidos de um cão, e Cláudio (Sebastião Formiga), o velho e afortunado corretor local de imóveis.

Em tom de crônica, Kleber Mendonça Filho explora com autenticidade alguns valores do povo pernambucano. Existe uma forte lealdade entre membros de uma mesma família e aqui há personagens que apresentam uma conexão muito forte com suas próprias origens e também do ambiente que transitam. Se há uma ressalva que deve ser feita é um tom sobrenatural que vai se intensificando na narrativa e que não é digerido com facilidade.

Título Original: O Som ao Redor
Ano de Produção: 2012
Direção: Kleber Mendonça Filho
Roteiro: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Gustavo Jahn, Irandhir Santos, Sebastião Formiga, Irma Brown, Maeve Jinkings, W.J. Solha, Lula Terra, Yuri Holanda, Clébia Souza, Albert Tenório, Nivaldo Nascimento, Felipe Bandeira, Clara Pinheiro de Oliveira e Mauricéia Conceição

4 Comments

  1. […] organizar todas as notas enviadas, temos o nacional “O Som ao Redor” na liderança com 83 de média. Considerado o melhor filme brasileiro dos últimos tempos, o […]

  2. […] “Trabalhar Cansa” remete a temas trabalhados posteriormente no celebrado “O Som ao Redor“. É interessante também como as duas obras são próximas em suas imperfeições. Assim […]

  3. […] Embora seja ambientado em 1978, ano em que a Ditadura Militar ainda resistia, não é intenção de “Tatuagem” encenar torturas ou conflitos armados. O que se vê é uma recriação das memórias da juventude de Hilton Lacerda, que à época testemunhou as intervenções do grupo de teatro Vivencial. Na ficção, o nome foi trocado para Chão de Estrelas, trupe anarquista liderada por Clécio (Irandhir Santos, de “O Som ao Redor“). […]

  4. […] brasileiro estava entusiasmado com uma nova etapa para o cinema brasileiro inaugurada com “O Som ao Redor”. A ideia do diretor Marcelo Galvão foi ousada: contar uma história com protagonistas com […]

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