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Os 10 Piores Filmes de 2014

Durante o ano de 2014, tomamos a decisão de não assistir a certos filmes. Como estamos livres da responsabilidade de veículos que exigem a cobertura completa do que chega ao circuito comercial, algo impossível de realizarmos devido aos compromissos particulares, decidimos passar títulos como “Transformers: A Era da Extinção”, “Vestido Pra Casar” e “Guardiões da Galáxia” com o intento de priorizar o destaque a obras com potencial de surpreender positivamente e que lamentavelmente não recebem o destaque merecido na blogosfera ou mesmo nos veículos mais consagrados.

Ainda assim, assistir a filmes com resultados que nos desagradam é inevitável. Os dez títulos a seguir foram selecionados por uma série de critérios, seja a falta de uma razão que justifique a sua existência como obra fílmica ou de mero entretenimento, as pretensões, as expectativas não correspondidas ou a ausência quase completa de virtudes que justifiquem o tempo que doamos e o valor que pagamos para vê-los. Atentem que há filmes com uma adição, sinal para a leitura da resenhas na íntegra presentes em nosso arquivo.

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Interestelar | Interstellar#01. Interestelar, de Christopher Nolan +

A escolha de “Interestelar” para ocupar o primeiro lugar da lista de piores filmes de 2014 pode soar como uma estratégia para criar uma interação conflituosa com uma maioria que defende o seu apreço por este mais novo filme de Christopher Nolan. Mas o critério de seleção veio de uma constatação básica: quanto maiores as pretensões de um filme, maior poderá ser a queda. Dito isso, é surpreendente a quantidade de alvos imaginados pelo diretor e o quão vacilante ele é ao mirá-los. Sem oferecer uma experiência de imersão em ambientes além do nosso alcance e tolo ao fazer uma costura de questões astrofísicas que se pretende complexa, “Interestelar” ainda falha vergonhosamente quando chega ao momento de efetivar todos os fatores humanos que movem uma premissa fantástica, apresentando um ato final que joga na lata do lixo as motivações pessoais que movem a jornada de Cooper (Matthew McConaughey). O tom lúgubre emanado do órgão de tubo presente na música de Hans Zimmer definitivamente vem bem a calhar.

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Machete Mata |Machete Kills#02. Machete Mata, de Robert Rodriguez

Amigo de Quentin Tarantino, Robert Rodriguez sempre produziu um cinema que guarda muito proximidade com os métodos autorais do realizador de “Pulp Fiction – Tempos de Violência”. Rodriguez é movido por elementos que regeram o cinema B essencial para a sua formação como cineasta, obtendo sucesso em filmes como “Sin City – A Cidade do Pecado”, “O Mariachi” ou mesmo “Prova Final”. No entanto, há tempos passa batido pela sofisticação, flertando atualmente com o trash de pior qualidade sem mostrar a que veio. Com “Machete Mata”, Rodriguez extrapola todos os limites do tolerável , fazendo aquele que é o seu pior filme – e olha que isso parece impossível em um currículo que contempla “A Pedra Mágica” e o próprio “Machete” original. Embora incorpore o personagem-título, Danny Trejo não passa de palco para o desfile de inúmeros famosos em participações especiais, como Vanessa Hudgens, Charlie Sheen, Antonio Banderas e até mesmo a cantora Lady Gaga. Felizmente, o fracasso comercial deve impedir que “Machete Kills Again… In Space!” seja viabilizado.

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Alemão#03. Alemão, de José Carlos Belmonte +

Responsável por “A Concepção” e “Se Nada Mais Der Certo”, é inegavelmente estranho ver um cineasta alternativo como José Eduardo Belmonte cedendo aos projetos com um apelo mais popular. Se a comédia calcada na chanchada “Billi Pig” foi um dos piores filmes de 2012, “Alemão” atinge o feito de ser o único filme nacional a figurar nesta lista – isto em um ano carente de grandes títulos nacionais produzidos no país. Baseado em uma ideia do produtor Rodrigo Teixeira, “Alemão” reconstrói risivelmente um acontecimento verídico na história recente do Brasil: o processo de pacificação das favelas cariocas. “Alemão” erra em tudo. Os atores se mostram totalmente despreparados para viverem policiais ou traficantes. Cada personagem representa um esteriótipo grosseiro. O roteiro força situações somente para ampliar a tensão que inexiste em um cenário claustrofóbico. A trilha-sonora é estridente e a montagem chega a flertar com a linguagem de videoclipe barato. Que Belmonte tenha mais sucesso em suas próximas empreitadas.

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Uma Aventura Lego | The Lego Movie# 04. Uma Aventura Lego, de Christopher Miller e Phil Lord

Você sabe que uma indústria de cinema passa por uma época de crise criativa quando até mesmo jogos de tabuleiro ou brinquedos infantis se convertem em matéria-prima para a realização de longas-metragens. Peter Berg fez de “Battleship – A Batalha dos Mares” o pior filme de 2012 ao adaptar… Batalha Naval. Agora, é a vez de “Uma Aventura Lego” representar o que de ruim houve no cinema no ano passado ao se inspirar nas peças de plástico para montagem da empresa dinamarquesa Lego. Por incrível que pareça, essa espécie de animação classe Z encontrou o seu público ao lidar de modo banal com mensagens como o quão especial pode ser uma figura taxada como ordinária e o relacionamento entre pai e filho, representado do modo mais deslocado possível em um clímax com a participação de Will Farrell. Aos menos impacientes, a explosão extravagante de cores e a repetição insuportável da canção “Tudo é Incrível” podem ocasionar um ataque epilético digno do episódio proibido do seriado animado “Pokémon”.

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Eu, Mamãe e os Meninos | Les Garçons et Guillaume, à table!#05. Eu, Mamãe e os Meninos, de Guillaume Gallienne

Muitos reclamam das premiações americanas por valorizarem obras mais pelo modo que o seu tema reflete a sociedade estadunidense e menos pelo seu mérito artístico, a sua capacidade de atravessar gerações, de realmente marcar a sétima arte – um exemplo que ilustra os resultados do Oscar 2014, em que “Gravidade” foi preterido por “12 Anos de Escravidão”. Os europeus também têm o seu histórico de equívocos e o César talvez tenha cometido o maior deles ao premiar “Eu, Mamãe e os Meninos” nas categorias de Melhor Filme, Melhor Primeiro Filme, Melhor Ator, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Montagem. Guillaume Gallienne (que está muito melhor como Pierre Bergé no médio “Yves Saint Laurent”) revê a sua própria vida para transformá-la em matéria-prima nesta comédia sobre um sujeito que desde a infância passa por uma crise de identidade, não sabendo definir seu gênero ou mesmo orientação sexual. O próprio Guillaume interpreta a mãe desse protagonista, que vê com maus olhos essa disfuncionalidade que se instaura em sua família. A comédia é uma ferramenta perfeita para inaugurar discussões sobre os efeitos de um comportamento pouco usual do protagonista, mas “Eu, Mamãe o Os Meninos” se empenha mais em encenar os constrangimentos da situação, investindo em cenas de humor nulo, como a sessão com uma massagista ou o exame médico ao se alistar no exército a contragosto.

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Mulheres ao Ataque | The Other Woman#06. Mulheres ao Ataque, de Nick Cassavetes

Em 1996, Nick Cassavetes estreou como diretor não apenas prestando uma bela homenagem sua mãe Gena Rowlands em “De Bem com a Vida”, como também ao seu pai John Cassavetes ao investir em um projeto que compreende as características de um cinema independente com um coração enorme. Não há problemas em se desvincular de suas raízes e Nick se mostrou interessado em outras possibilidades a partir de “Um Ato de Coragem”, drama de 2002 protagonizado por Denzel Washington. Com “Mulheres ao Ataque”, Nick força a barra ao trazer um trio feminino histérico que descobre ter um amor em comum: Mark King, bonitão interpretado por Nikolaj Coster-Waldau. O pobre astro dinamarquês se torna alvo de constrangimentos que vão do surgimento de mamas até idas imediatas ao banheiro após o consumo de laxante. É ótimo ver personagens machistas se dando mal, mas as personagens de “Mulheres ao Ataque” apresentam perfis tão imaturos que o ataque parece ferir mesmo é a mulher moderna. Como melhor elogio, Nick Cassavetes fez uma comédia compatível com uma tolice dirigida pelo seu pai chamada “Um Grande Problema”.

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Noé | Noah#07. Noé, de Darren Aronofsky

Mesmo com a badalação de “O Lutador” e “Cisne Negro”, é fato que Darren Aronofsky ainda não conseguiu superar os resultados obtidos com “Réquiem Para um Sonho”, o seu melhor filme. Diante disso, temos com “Noé” um diretor diante de uma crise. Primeiro porque é unânime que o projeto bíblico é uma derrapada embaraçosa em sua breve filmografia. Segundo porque Aronofsky integra com ele um grupo de cineastas corrompidos por estratégias comerciais após estreias independentes triunfantes, a exemplo de David Fincher e Christopher Nolan. Além das escolhas questionáveis (a importância da integridade familiar após uma tragédia de proporções literalmente bíblicas) e o modo canhestro como elas se efetivam (a possibilidade de Deus ser um delírio do protagonista), “Noé” é um filme involuntariamente hilário. Como Matusalém, Anthony Hopkins parece estar interpretando O Mestre dos Magos em uma versão live action de “A Caverna do Dragão”. Os anjos caídos que auxiliam o protagonista soam como Transformers arcaicos. Há ainda Tubalcaim como um vilão caricatural, a surpresa de uma concepção indesejada e a busca desenfreada de Cam por uma mulher para que possa reproduzir. Um verdadeiro freak show.

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Caçadores de Obras-Primas | The Monuments Men#08. Caçadores de Obras-Primas, de George Clooney

A falta de relevância de “Caçadores de Obras-Primas” como obra fílmica foi rediscutida recentemente com a polêmica dos vazamentos de informações sigilosas do estúdio Sony. Entre os e-mails vazados, há um em que George Clooney revela à presidente da Sony Amy Pascal estar com receios de ter decepcionado a todos após a enxurrada de críticas negativas para “Caçadores de Obras-Primas”. Tendo na função de diretor realizado bons filmes como “Boa Noite e Boa Sorte” e “Tudo Pelo Poder”, Clooney tem mesmo de se envergonhar por “Caçadores de Obras-Primas”, um filme que caricatura um episódio verídico na Segunda Guerra Mundial com potencial para render uma encenação poderosa sobre a importância da preservação da arte como documento de uma época. Em uma missão em que quadros e monumentos artísticos são mais importantes que as vidas dos soldados recrutados para resgatá-los, Clooney se entrega totalmente ao nonsense sem qualquer razão.

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Os Mercenários 3 | The Expendables 3#09. Os Mercenários, de Patrick Hughes +

Comprometido com o vazamento na Internet a um mês de sua estreia nos cinemas, “Os Mercenários 3” teve a sua arrecadação na bilheteria americana claramente afetada pelo público amplo que preferiu conferi-lo ilegalmente. Os valores obtidos mundialmente permitiram que Sylvester Stallone não cancelasse o seu desejo em fazer um quarto episódio, mas a verdade é que a franquia chega aqui desgastada. As inclusões de Wesley Snipes, Mel Gibson e Harrison Ford no elenco não ressoam diante do péssimo roteiro que dá a abertura para que nomes jovens entrem em ação. O resultado, ao contrário das aventuras anteriores, é maçante de se acompanhar e não há uma sequência imaginativa entre tiroteios, perseguições e astros de outrora buscando por uma recolocação no gênero.

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Sétimo | Séptimo#10. Sétimo, de Patxi Amezcua

Não há astro argentino mais aclamado no Brasil do que Ricardo Darín. Do recorte exibido aqui do que o seu país produz, uma grande fatia corresponde a obras que levam o seu nome nos créditos. Além de “Sétimo”, tivemos o lançamento comercial de outros dois filmes com o ator em 2014: “O Que Os Homens Falam” e “Relatos Selvagens”. Uma co-produção entre Argentina e Espanha, “Sétimo” traz Darín dividindo a cena com ninguém menos que Belén Rueda, uma musa dos thrillers espanhóis. A parceria vai por água abaixo em uma trama de sequestro que se dá através de uma brincadeira inocente entre um pai e o seu casal de filhos, pois o cineasta Patxi Amezcua se mostra totalmente incapaz de conferir tensão em uma corrida contra o tempo e, com o roteirista Alejo Flah, prepara aquela que é a revelação mais estapafúrdia para um mistério, isentando de qualquer penalidade os envolvidos pela armação que encurrala o protagonista.

4 Comments

  1. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Sabia que “Interestelar” iria ser o primeiro lugar da sua lista de piores. Não concordo com a sua escolha, mas respeito. Entendo por quê acham esse filme ruim. Da sua lista, concordo com a presença de “Alemão”, que assisti e concordo ser muito abaixo da média. No mais, estou contigo! O tempo é curto e precioso demais para se perder tempo assistindo aquilo que é ruim!

  2. Não concordo com a escolha de “Interestelar”, porque o filme não é ruim, só é difícil de compreender (acho que nem Christopher Nolan entendeu esse filme). “Noé”, “Uma Aventura Lego” e “Caçadores de Obras-Primas” também não seriam cogitados para uma lista de piores acaso eu fizesse – mas tampouco para uma lista de melhores do ano.
    Do restante, concordo (e muito) com “Alemão” e “Machete Mata”. Os demais ainda são inéditos pra mim.
    E por falar em Nick Cassavetes e família, estou vivendo um momento de paixão pelos filmes de John Cassavetes (assisti recentemente Gloria, Uma Mulher Sob Influência e Faces)…. E estou impressionado com a qualidade de Gena Rowlands como atriz, só havia me atentado para sua performance em “A Outra” de Woody Allen.
    E ainda puxando o gancho da postagem do Matheus (Cinema e Argumento), sobre a dificuldade de Dianne Wiest em conseguir papéis decentes no cinema… por onde anda Gena Rowlands?

  3. Não concordo com Lego na lista. Esse filme é para crianças e não para crítica! #meinspirou #prontofalei

    • “Esse filme é para crianças”. Compreendida a razão de você ter embarcado nisso. Risos.

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