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Resenha Crítica | Sicario: Terra de Ninguém (2015)

Sicario - Terra de Ninguém (Sicario)

Sicario, de Denis Villeneuve

O canadense Denis Villeneuve transformou “Incêndios”, então o seu quarto longa-metragem, em credenciais para finalmente desembarcar em Hollywood. Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (perdeu para “Em um Mundo Melhor”, de Susanne Bier), a extraordinária adaptação da peça de Wajdi Mouawad talvez seja a obra mais notável produzida nos últimos anos a adotar uma estrutura circular.

Com “Os Suspeitos” e “O Homem Duplicado”, Villeneuve  confirmou o talento com a condução de elementos que caracterizam o thriller, mas havia nesses dois exemplares alguns subterfúgios que contradiziam de algum modo o seu vigor em criar grandes mistérios, como a facilidade de pistas jogadas para auxiliar na resolução de enigmas. Limites irreversíveis em textos que não contaram com a sua assinatura.

Um dos títulos em competição pela Palma de Ouro na última edição do Festival de Cannes, “Sicario: Terra de Ninguém” pode ter o estreante Taylor Sheridan como autor do roteiro, mas há aqui um domínio tão pleno de toda a situação que um temor se dissipa: o de nunca mais vermos Villeneuve à altura de “Incêndios”. E o feito é atingido em um narrativa de alta voltagem, quase sem pausas para a retomada de fôlego.

Em desempenho subestimado, Emily Blunt é os olhos da plateia como Kate Macer, uma agente do FBI que sobrevive a uma explosão durante uma operação. Sem que o choque tenha passado, ela é convocada pelo agente da CIA Matt Graver (Josh Brolin) a integrar uma força-tarefa que pretende desmantelar um quartel de drogas, cujas ações envolvem a bomba detonada que vitimou alguns membros da equipe de Kate.

A vinda de Alejandro (Benicio Del Toro) a essa equipe faz Kate questionar a todo o instante a sua função e o propósito da missão, uma vez que este homem assume um protagonismo muito além de um mero intérprete, influenciando implacavelmente no curso de uma ação em que a sua presença parece motivada por um ajuste de contas. As coisas ficam ainda mais obscuras com os procedimentos questionáveis de ataque, bem como a intromissão de Força Delta para derrubar o chefe de quartel de drogas Fausto Alarcon (Julio Cedillo).

Após “Os Suspeitos”, Denis Villeneuve volta a trabalhar novamente com o diretor de fotografia Roger Deakins, formando assim uma dupla que compreende a tensão com o enclausuramento de seus personagens com planos fechados e a preferência por alguns recursos que nos jogam na ação, como o clímax que emula o que se vê com o uso de um equipamento de visão noturna. Colabora também a trilha do islandês Jóhann Jóhannsson, que substitui os acordes ternos de “A Teoria de Tudo” pelo empenho em criar uma ilusão de uma tormenta desabando sobre a terra.

Constrói-se assim uma teia de violência que não poupa ninguém, especialmente Kate, que nos faz reviver o impacto da revelação de “Incêndios” ao voltar a ser o centro das atenções em uma decisão que pode arruinar toda a sua identidade, um pessimismo que também toma conta de uma cena final que ilustra um ciclo de desolação que sempre se repete.

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