Resenha Crítica | Se Fazendo de Morto (2013)

Se Fazendo de Morto (Je fais le mort)

Je fais le mort, de Jean-Paul Salomé

Ainda que relegado ao circuito alternativo, é uma agradável surpresa ver os filmes que trazem o nome de François Damiens no topo do cartaz sendo exibidos no Brasil. Há dez anos trabalhando no cinema, o ator e comediante belga começou a chamar a atenção ao roubar a cena como coadjuvante de “Como Arrasar um Coração”, de 2010. Porém, as atenções foram finalmente concentradas em sua figura ao viver o improvável par romântico de Audrey Tautou em “A Delicadeza do Amor“.

Após “Tango Livre”, a comédia policial “Se Fazendo de Morto” é uma nova oportunidade para vê-lo como a principal atração de um projeto, no qual a eficácia do humor está totalmente confiada em sua presença. Algo que tira de letra: Damiens é um sujeito sem nenhuma característica de um galã que consegue ser charmoso ao compreender que o deslocamento de seus personagens é um elemento para ser estudado como uma possibilidade dramática e não um recurso para piadas fáceis – e ainda é capaz de reavaliar os seus métodos a cada novo papel, sem jamais soar repetitivo.

Em “Se Fazendo de Morto”, Damiens é Jean Renault, um ator decadente que debutou na pré-adolescência como uma promessa ao receber o prêmio César de Melhor Revelação. Dependendo de uma agência de empregos para artistas para obter alguma participação ingrata em algum comercial ou projeto sem qualquer pedigree, resta-lhe topar para o momento o “papel” de morto para a reconstrução de crimes nos locais em eles se sucederam.

Mais conhecido por produções de gêneros como o drama (“Contratadas para Matar”) e o suspense (“O Fantasma de Louvre”), Jean-Paul Salomé se dá muito bem na condução da comédia, cercando de estranhezas os bastidores do procedimento decisivo para elucidar a arquitetura de um homicídio. Mas é na convicção de François Damiens em vestir um risível figurino de couro e de liderar às escondidas as investigações sobre o crime obscuro o qual encena que permite a “Se Fazendo de Morto” ser uma comédia quase tão à altura de seu fantástico protagonista.

Sobre Alex Gonçalves
Editor do Cine Resenhas desde 2007, Alex Gonçalves é estudante de Jornalismo e viciado em música, fotografia, leitura e escrita. Mais informações na página "Sobre".

2 Comentários em Resenha Crítica | Se Fazendo de Morto (2013)

  1. Não conheço esse diretor, mas ele parece ter um estilo bem próprio, pelo que depreendo do seu texto.

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