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Resenha Crítica | Invocação do Mal 2 (2016)

The Conjuring 2, de James Wan

Ainda que Ed e Lorraine Warren tenham sido os responsáveis pela investigação de forças malignas que predominavam as residências de “Horror em Amityville”, “Evocando Espíritos” e do telefilme “A Casa das Almas Perdidas”, “Invocação do Mal” foi o primeiro longa-metragem a trazê-los como protagonista. Muito além do sucesso, estava claro que havia o potencial de criação de uma franquia, pois Ed e Lorraine nasceram para se tornarem “heróis sobrenaturais” em suas encarnações fictícias e não falta arquivo pessoal para dar conta de vários capítulos.

Na impossibilidade de refazer “Horror em Amityville” com uma nova versão já pronta para ser lançada (dirigida por Franck Khalfoun e protagonizada por Jennifer Jason Leigh), James Wan felizmente desfez a promessa de se despedir do gênero ao retornar a ele em “Invocação do Mal 2” com um caso também verídico, conhecido como o Amityville britânico: o poltergeist em Enfield. A similaridade entre os dois casos é evidenciado no prólogo e a força nefasta por trás deles é tão poderosa que Lorraine (Vera Farmiga) considera recuar na demonologia.

Porém, o drama que acomete a família é ainda mais intenso. Mãe solteira, Peggy Hodgson (Frances O’Connor, ótima) tem nada menos do que quatro filhos para criar numa casa que precisa passar por inúmeros reparos. Mais nova de suas filhas, Janet (Madison Wolfe) é o principal alvo dos estranhos fenômenos que assolam a propriedade, todos da autoria de uma presença que se apresenta como Bill Wilkins, justamente o dono anterior do imóvel, um idoso que faleceu solitário em sua velha poltrona.

Se em “Invocação do Mal” tínhamos a família Perron clamando pela intervenção dos Warren, nesta sequência os Hodgson os encontram quando todo o caso foi exaustivamente apurado pela imprensa, com a maioria questionando a veracidade dos fenômenos mesmo após testemunhá-los com fotografias, gravações e a exploração da casa. Na condição de apenas avaliar se há ou não a ação de forças diabólicas, Lorraine aceita acompanhar Ed até a Inglaterra, mas as suas visões antecipam que tragédias muito graves estão prestes a se efetivar.

Hoje o mais bem-sucedido diretor de terror de sua geração, James Wan não demora para provar que é mesmo um realizador em pleno domínio da arte de provocar medo. A princípio repetindo os métodos do original que voltam a funcionar aqui, como a apresentação de personagens e o ambiente que habitam por meio de um plano-sequência que cobre toda a sua dinâmica, Wan dá um passo além ao fazer com que “Invocação do Mal 2”, ao menos em sua primeira metade, seja uma experiência macabra ininterrupta, em que o calafrio provocado por uma manifestação sobrenatural anterior não seja superado antes que o próxima já esteja preparada para assombrar os protagonistas e, consequentemente, o público.

Há muita coreografia e domínio de tempo para que tal efeito seja obtido. Perceba que Wan sempre adota a perspectiva da vítima, e não daquilo que a assombra. Isso é patente em uma conversa de Ed com Janet sob a influência de Bill Wilkins. Em aproximadamente três minutos, ficamos todo o tempo ouvindo exatamente o mesmo que Ed em primeiro plano, enquanto Janet está totalmente desfocada em segundo plano.

No entanto, o acontecimento que irá inscrever “Invocação do Mal 2” no histórico de cenas mais assustadoras do cinema é sem dúvida a pintura de uma figura que assombra os sonhos de Ed, um demônio nas formas de uma freira que também vem a ser o mesmo demônio que testou os limites de Lorraine em excomungar o mal que não pertence ao nosso plano material. Desde “Os Outros”, em que a imagem de um camponês é confundida com um fantasma enquanto a personagem de Nicole Kidman revisita um salão de espelhos protegidos por lençóis, que um quadro não perturba tanto o imaginário coletivo.

Talvez a solução que deixe “Invocação do Mal 2” em pé de igualdade com o filme de 2013 seja encarar o poltergeist em Enfield não como mais um caso dos Warren, mas uma justificativa que os atinjam muito mais que os próprios Hodgson, algo que enfraquece a força do acontecimento verídico e que abre a porta para alguns excessos em um filme até então tradicional em seu trato com o nefasto, como a possibilidade de teletransporte, o arremesso violento de grandes e móveis e mudanças temporais radicais, não condizendo com a sutileza infalível de portas que rangem e tevês dessintonizadas. De qualquer forma, o fato de Wan ter alcançado um resultado tão bom quanto o seu maior feito definitivamente não é pouco.

6 Comments

  1. Jonathan CArrijo Jonathan CArrijo

    Ótima crítica. Assistirei na estreia, parabéns.

    • Olá, Jonathan. Obrigado. Vá assistir ao filme sem medo – aliás, vá com muito medo!

  2. Cinéfila por Natureza Cinéfila por Natureza

    Não assisti ao primeiro filme, então não devo conferir esta continuação.

  3. Christian Christian

    Qual e o nome do demonio q se esconde por traz da freira ?

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