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Resenha Crítica | Invocação do Mal (2013)

Invocação do Mal | The Conjuring

Parece que uma nova onda de filmes de horror está se consolidando no cenário cinematográfico atual. Por mais irônico que seja, ela é caracterizada pela intenção de jovens cineastas em resgatarem os elementos mais clássicos do terror. Quando não são ambientadas em épocas já distantes, os títulos atuais do gênero buscam construir uma atmosfera soturna com base em mistérios aos poucos descortinados por uma família em ambientes fantasmagóricos. Além de nomes como Ti West (de “The House of the Devil” e “Hotel da Morte”), James Wan tem feito isso obtendo grande sucesso.

Após ter inaugurado com “Jogos Mortais” o torture porn, James Wan resgatou tudo o que assegurou o sucesso de clássicos de casas mal-assombradas com “Sobrenatural”, cuja sequência será lançada em breve. Com “Invocação do Mal”, o diretor de 36 anos nascido na Malásia e naturalizado na Austrália atinge o feito de oferecer uma obra que supera tudo o que tem sido produzido para este segmento.

Interpretados por Patrick Wilson e Vera Farmiga, Ed e Lorraine Warren realmente existiram. Ele um demonologista e ela, uma médium clarividente, ambos contabilizaram centenas de casos em que comprovaram a presença de entidades malignas em residências. O mais notório talvez seja o da família Lutz, que posteriormente renderia o longa-metragem “Terror em Amityville”.

Em “Invocação do Mal”, dois casos famosos são narrados. O primeiro envolve a boneca Annabelle, provavelmente o maior “atrativo” ainda em exposição no museu de ocultismo criado pelos Warren situado em Connecticut. Porém, é a história da família Perron o principal foco do roteiro assinado por Carey e Chad Hayes, os mesmos responsáveis por alguns filmes da Dark Castle, como o remake “A Casa de Cera” e a adaptação da graphic novel “Whiteout”, “Terror na Antártida”.

Assim que compram uma velha residência à beira do lago em Rhode Island, o casal Carolyn e Roger (Lili Taylor e Ron Livingston) e todas as suas cinco filhas são assolados por estranhos eventos em sua maioria noturnos. Carolyn desperta diariamente com hematomas cada vez mais evidentes e as garotas não conseguem dormir muito bem, a exemplo do sonambulismo que volta a acometer Cindy (Mackenzie Foy). Quando todos são atingidos simultaneamente em uma noite perturbadora, Carolyn solicita a ajuda dos Warren após ser convencida pelas habilidades do casal em uma palestra universitária.

James Wan se cercou de grandes talentos para trazer novidades a este filão. Tecnicamente, “Invocação do Mal” é irretocável. O objetivo de propagar o medo funciona porque Wan é minucioso na construção de cenas. Consegue planos elaboradíssimos (como o movimento de 180º que executa com a sua câmera quando uma das filhas do Perron busca flagrar algo que possivelmente se esconde embaixo de sua cama) e usa de modo consciente a música de Joseph Bishara e o som supervisionado pela equipe de Joe Dzuban, sensata no modo como se esquiva de sussurros do além na intenção de preservar uma ameaça mais física. No elenco, os destaques são Vera Farmiga, Lili Taylor e todas as meninas – somente a presença de Ron Livingston se mostra um equívoco, pois o fraco ator não tem aptidão para se impor como um pai de família cercado por dilemas.

Sucesso estrondoso de público e crítica, “Invocação do Mal” tem como segredo o medo de não flertar com o drama como método de efetivar a força dos fatos verídicos que lhe serviram como inspiração. Além da família Perron, as presenças demoníacas também enfraquecem Lorraine, vulnerável após auxiliar um exorcismo fora do habitual. Em meio a tantos momentos aterrorizantes, há um respiro para compreendermos que a principal ferramenta para combater a ameaça é o fervor que uma família tem em manter os seus pilares. Por isso “Invocação do Mal” é tão assustador: após a sessão, a linha entre o bem e o mal parece ainda mais tênue.

The Conjuring, 2013 | Dirigido por James Wan | Roteiro de Carey Hayes e Chad Hayes | Elenco: Vera Farmiga, Patrick Wilson, Ron Livingston, Lili Taylor, Joey King, Shanley Caswell, Haley McFarland, Mackenzie Foy, Kyla Deaver, Sterling Jerins, John Brotherton, Marion Guyot, Morganna Bridgers e Amy Tipton | Distribuidora: Warner

11 Comments

  1. Meu Deus! Estou doido para ver esse filme. Tenho alguns problemas com “Insidious”. Principalmente com o final, mas James Wan sabe assustar. Aquela velha me deixou com frio no cangote. Espero ainda mais desse “Invocação do Mal”. Quando eu assistir ao filme, volto aqui para ler sua crítica com mais atenção. Abs!

    • Otávio, também tenho os meus problemas com os momentos finais de “Sobrenatural”, mas não podemos negar que o filme cumpre muito bem o seu sagrado dever de nos deixar com os cabelos em pé. Porém, “Invocação do Mal” é outro nível. Se bobear, você pode ir dormir com o abajur aceso. Depois me conte se curtiu. Um abraço.

  2. Rômulo Rômulo

    Desculpe mas o filme é de mediano pra baixo. Além de ser um clichê. É parecidíssimo com O filme “A casa das almas perdidas”, que é bem melhor que este. Ao meu ver o diretor/produtor deveriam dar mais ênfase à boneca Anabelle no final. Deixou a desejar.

    • Rômulo, não precisa se desculpar. Creio que seja intenção de James Wan emular alguns clássicos do gênero. No entanto, discordo da afirmação de que ele é um clichê, pois visualizo no filme uma marca muito autoral.

  3. Barbara Barbara

    Eu assisti a morte do demônio e achei um lixo…. Não tava dando nada por este , mas me deixou impressionada e fiquei duas noites sem conseguir domir direito..
    Realmente assustador

    • Barbara, também não gostei nem um pouco do novo “A Morte do Demônio”. Uma bobagem para lá de sem graça, não? Sobre “Invocação do Mal”, posso afirmar que também não tive uma noite de sono muito agradável.

  4. Eu gostei bastante. Acho que James Wan filma muito bem. Mas faltava uma história mais dramática e bem construída a começar pelo roteiro para que ele demonstrasse tudo aquilo que é capaz como diretor. Minha resenha está no Hollywoodiano. Abs!

  5. […] resgatou os elementos que asseguraram o sucesso de grandes clássicos do gênero para fazer “Invocação do Mal“, que nesta edição do Ponto Crítico é celebrado como o melhor […]

  6. […] Sucesso estrondoso de público e crítica, “Invocação do Mal” tem como segredo o medo de não flertar com o drama como método de efetivar a força dos fatos verídicos que lhe serviram como inspiração. Além da família Perron, as presenças demoníacas também enfraquecem Lorraine, vulnerável após auxiliar um exorcismo fora do habitual. Em meio a tantos momentos aterrorizantes, há um respiro para compreendermos que a principal ferramenta para combater a ameaça é o fervor que uma família tem em manter os seus pilares. Por isso “Invocação do Mal” é tão assustador: após a sessão, a linha entre o bem e o mal parece ainda mais tênue. + […]

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