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Resenha Crítica | A Hora Mais Escura (2012)

A Hora Mais Escura | Zero Dark ThirtyUm pouco depois de ganhar o Oscar por “Guerra ao Terror”, a dupla formada pela cineasta Kathryn Bigelow e o roteirista Mark Boal anunciou a pré-produção de “Kill Bin Laden”, cuja história narraria as inúmeras tentativas fracassadas da CIA em capturar o líder da Al-Qaeda e principal responsável pelos ataques terroristas do 11 de setembro. Em maio de 2010, uma operação secreta do Comando de Operações Especiais Conjuntas, em parceria com a CIA, foi a responsável pela morte de Osama Bin Laden. A ação foi oficializada posteriormente pelo presidente Barack Obama e os americanos sentiram com este anúncio que finalmente poderiam respirar aliviados pelo ciclo fechado de uma das maiores tragédias em solo americano.

Mesmo plenamente satisfeitos com este resultado, não haveria dúvidas de que isto comprometeria todo o trabalho de Kathryn Bigelow e Mark Boal para viabilizarem “Kill Bin Laden”. Isto não significaria que ambos estariam impedidos de mudarem o foco de toda a pesquisa realizada. Assim nasceu “A Hora Mais Escura”, que não apenas encena os fracassos da perseguição ao maior inimigo dos Estados Unidos, como também o encontro do seu refúgio e a sua morte.

Após um ano de novas pesquisas, Mark Boal pôde finalizar o texto de “A Hora Mais Escura”. Proibido de revelar o nome da pessoa que foi essencial para a descoberta do local em que Bin Laden estava escondido, Mark Boal criou Maya. Defendida por Jessica Chastain, este papel ganha todas as camadas para formar um irretocável modelo de heroína contemporânea. É Maya que por doze anos tentou interceptar Bin Laden até se deparar com uma pista que a levou até uma fortaleza situada em Abbottabad, local em que aconteceu a operação secreta após convencer os seus superiores de suas convicções.

Claro que, para chegarmos neste episódio específico, o caminho caminhado por Maya foi longo e exaustivo. Ao iniciar com uma tela preta em que ouvimos algumas conversas telefônicas de vítimas que estavam dentro do World Trade Center, Kathryn Bigelow rapidamente adentra a um ambiente de um endereço desconhecido em que o agente Dan (Jason Clarke, excelente) tortura, com a companhia de Maya, Ammar (Reda Kateb), homem que pode conter informações preciosas sobre o paradeiro de Bin Laden.

Corajoso, “A Hora Mais Escura” não nega a existência da tortura como ferramenta para o alcance das informações necessárias para capturar Bin Laden e consegue costurar em sua narrativa outros episódios fatídicos, como os atentados ao metrô de Londres em 2005 e ao hotel Marriott de Islamabad em 2008.

O compromisso com a estética e narrativa documentais prejudicaram a reputação de “A Hora Mais Escura”. Melhor título da temporada Oscar, “A Hora Mais Escura” não deverá repetir o mesmo favoritismo que cercou “Guerra ao Terror” em 2010 e ainda teve a esplêndida direção de Kathryn Bigelow ignorada. Restaram cinco indicações nas categorias de melhor filme, melhor atriz, melhor roteiro original, melhor montagem e melhor edição de som, totalizando um número insuficiente de menções para o filme mais atual e relevante lançado recentemente.

A perspectiva do conflito é integralmente americana, mas Kathryn Bigelow não está disposta a incentivar falsas morais ou patriotismo em sua realização. As bandeiras americanas surgem aqui tímidas e o close que fecha o filme no rosto abatido de Maya, que pela primeira vez deixa as lágrimas correrem pelo seu rosto, representam tanto o alívio de uma missão cumprida após 12 anos quanto o medo de uma guerra que nunca chega ao fim.

Título Original: Zero Dark Thirty
Ano de Produção: 2012
Direção: Kathryn Bigelow
Roteiro: Mark Boal
Elenco: Jessica Chastain, Jason Clarke,  Joel Edgerton, Scott Adkins, Mark Strong, Jennifer Ehle, Chris Pratt, James Gandolfini , Taylor Kinney, Kyle Chandler, Édgar Ramírez, Harold Perrineau, Frank Grillo, Mark Duplass, Reda Kateb , Stephen Dillane, Lee Asquith-Coe, Fredric Lehne, Fares Fares, Callan Mulvey, Daniel Lapaine, Jessica Collins, Shabana Azmi, Mike Colter, Josh Kelly, Nash Edgerton, Jeremy Strong e Ricky Sekhon

8 Comments

  1. […] vez, dois filmes são líderes em número de indicações. Citados em oito categorias, ”A Hora Mais Escura” e ”Gravidade” irão se enfrentar em vários momentos. Com sete indicações, o […]

  2. […] ano, William Goldenberg concorreu ao Oscar pela montagem tanto por “Argo” quanto por “A Hora Mais Escura”(contando neste com a parceria de Dylan Tichenor, antes indicado, na mesma categoria, por […]

  3. […] A perspectiva do conflito é integralmente americana, mas Kathryn Bigelow não está disposta a incentivar falsas morais ou patriotismo em sua realização. As bandeiras americanas surgem aqui tímidas e o close que fecha o filme no rosto abatido de Maya, que pela primeira vez deixa as lágrimas correrem pelo seu rosto, representam tanto o alívio de uma missão cumprida após 12 anos quanto o medo de uma guerra que nunca chega ao fim. + […]

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