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Resenha Crítica | Ponte dos Espiões (2015)

Ponte dos Espiões (Bridge of Spies)

Bridge of Spies, de Steven Spielberg

Se nos deixássemos influenciar somente pelo reconhecimento da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, poderíamos afirmar com os olhos vendados que Steven Spielberg está em uma fase gloriosa em sua carreira. Porém, nos últimos dez anos, as obras com a sua assinatura podem ser divididas em duas categorias.

Na primeira categoria, temos grandes produções como “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” e “As Aventuras de Tintim”  tremendamente desapontadoras em comparação com os seus clássicos que redefiniram o blockbuster. Na segunda categoria, há os dramas sérios como “Munique”, “Cavalo de Guerra” e “Lincoln” que são o pior do que se espera de um excesso de formalismo que tem como único objetivo a consagração artística em temporada de premiações.

“Ponte dos Espiões” é mais um Spielberg a figurar em mais uma edição do Oscar, totalizando menções em seis categorias, incluindo Melhor Filme. Ao menos desta vez, o vemos em um momento contido, um possível resultado da constatação de que os seus passos não foram os mais acertados ultimamente. Pode-se dizer que o principal mérito é o texto assinado por Matt Charman e os irmãos Coen, totalmente desprovido de brechas para o sentimentalismo barato.

Em outro grande momento após “Walt nos Bastidores de Mary Poppins” e “Capitão Phillips”, Tom Hanks interpreta o advogado James B. Donovan, figura real que se envolveu em riscos durante a guerra fria ao agir em defesa de Rudolf Abel (Mark Rylance), desmascarado como espião da União Soviética. Porém, o seu principal desafio virá quando os russos anunciarem a captura do piloto Francis Gary Powers (Austin Stowell) ao mesmo tempo em que os alemães mantêm preso o estudante Frederic Pryor (Will Rogers).

Ainda que algumas pieguices de Spielberg sejam inevitáveis, como converter o filho de James, Roger (Noah Schnapp), em uma espécie de alter ego para representar a paranoia da época que reconstrói, existe um interesse genuíno em como o impasse será negociado pelo protagonista, migrando das ameaças dos americanos pelo seu zelo em manter a integridade de Rudolf para a sua presença em solo inimigo em busca de resoluções favoráveis para todas as partes. Outra saída de uma certa zona de conforto também é testemunhada com a primeira parceria de diretor com o compositor Thomas Newman, que entrega um trabalho musical tão encantador que o desejo é de John Williams se ausentar por mais algum tempo dos projetos spilbergianos.

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